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Os Jogos também visitam locais famosos, como o Hyde Park, com triatlo e a maratona aquática, e o Horse Guards Parade, em Westminster - e, nos Jogos, palco do vôlei de praia
Londres - Fossem os moradores de Londres os passageiros de um ônibus de dois andares, e fosse seu percurso uma jornada pelos sete anos entre a escolha como sede olímpica e a cerimônia de abertura desta sexta-feira, seria possível observar pelas janelas o melhor e o pior do ser humano. A começar pelo dia seguinte à vitória na eleição feita pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 6 de julho de 2005.
Na manhã do dia 7, enquanto os londrinos iam para o trabalho lendo nos jornais sobre a festa pela conquista do direito de receber os Jogos, um grupo de terroristas se infiltrou no sistema de transporte público da cidade, um dos melhores e mais seguros do mundo, desencadeando uma sequência de explosões que só se encerrou quando a contagem de vítimas já chegava a 52 mortos e mais de 700 feridos.
Logo depois, ainda sob o trauma da matança, um anônimo imigrante brasileiro, Jean Charles de Menezes, também era morto - mas pelas armas de policiais assombrados pelo temor de mais um ataque em série. Outros dias difíceis viriam, na esteira da pior crise econômica em décadas. Com o governo apertando o cinto para encarar a recessão, os gastos sociais caíram - o que plantou a semente de uma onda de vandalismo nas ruas, há pouco mais de um ano.
No decorrer desse período, porém, Londres resistiu a todos os golpes - como já fizera na II Guerra - e saiu vitoriosa. Inventou um novo modelo de Olimpíada, em que o futuro pós-Jogos importa até mais do que o evento em si. Ao invés de erguer arenas gigantes que tornariam-se inúteis tão logo a Olimpíada terminasse, montou instalações temporárias ou adaptáveis.
Ao invés de querer impressionar o mundo com luxo ou grandiosidade, decidiu fazer as coisas à maneira britânica - ambiciosa, sim, mas com classe e praticidade. Sete anos depois, Londres abre sua terceira Olimpíada - um recorde - com sua autoestima recuperada, e pronta para voltar a ser, como em seu passado mais glorioso, o centro do mundo.
Ao receber os Jogos pela primeira vez, em 1908, Londres foi convocada de última hora para socorrer a festa olímpica depois que Roma precisou desistir. Quarenta anos depois, três apenas depois da II Guerra, a cidade ainda tentava se recuperar dos bombardeios nazistas quando encarou o enorme desafio de fazer a Olimpíada voltar aos trilhos após duas edições canceladas (1940 e 1944) por causa do maior conflito militar da história.
Nas duas ocasiões, a Olimpíada não foi uma unanimidade em Londres. E o mesmo aconteceu desta vez: para muitos, Londres não teria nada a ganhar com os Jogos. As críticas - ao dinheiro gasto em plena crise, à saturação do trânsito e do transporte público, à megaoperação de segurança que seria necessária para proteger o evento - eram pertinentes.
A poucas horas do início da festa, no entanto, fica claro que a empreitada valeu a pena, ainda que a Grã-Bretanha não consiga atrair o volume de investimentos esperado como consequência dos Jogos (cerca de 13 bilhões de libras). A Olimpíada, que custou 9,3 bilhões, criou um novíssimo polo de desenvolvimento numa das regiões mais degradadas da cidade, Stratford, na região leste.
Antes abandonada à própria sorte, hoje ela tem um dos maiores hubs de transporte urbano da Europa e o maior shopping center do continente. Fica ali o Parque Olímpico, que concentra a Vila dos atletas, o principal estádio, o centro aquático e outros locais de competição importantes. Encerrada a festa esportiva, será transformada, aos poucos, em um novo bairro, deslocando o eixo do desenvolvimento em Londres para uma região que historicamente foi sempre esquecida.
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