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O Grande Prêmio de Mônaco não é apenas lugar para carros de Fórmula 1, mas também de uma das melhores festas da competição
O Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1 é, de longe, o mais charmoso da temporada. Há quem diga que Bernie Ecclestone, o chefão da F-1, mantém essa prova no calendário porque ela ajuda a fisgar os novos investidores, que se deslumbram com a concentração de riqueza e poder em um final de semana. A marina onde se concentram as equipes é uma reunião de gigaiates. O maior deles, o Indian Empress, pertence ao bilionário indiano Vijay Mallya. Dono de uma das maiores cervejarias do mundo (a United Breweries), de uma companhia aérea (a Kingfisher, mesmo nome de sua cerveja mais popular) e de um time de F-1 (a Force India), Mallya figura na lista da Forbes dos homens mais ricos do mundo com patrimônio de 1,4 bilhão de dólares.
Desde que chegou à categoria, em 2008, Mallya dá festas em seu iate de 95 metros. Com o tempo, elas ganharam fama — e, obviamente, sua entrada fica cada vez mais seletiva. Nem mesmo a imprensa (tradicionalmente muito bem tratada na categoria) tem passe garantido. “Existem muitas baladas na F-1, mas nada chega aos pés do que Vijay faz no Indian Empress. É o evento do ano”, diz o inglês Mark Sutton, fotógrafo que trabalhou com Ayrton Senna. Além do glamour de Mônaco, há uma peculiaridade: o GP de Monte Carlo é o único em que não há atividades na sexta-feira. Assim, a quinta à noite pode ser estendida tranquilamente.
De posse do convite, recebo algumas instruções. A primeira: o traje não é formal. “Os milionários se reconhecem pelos detalhes, como um bom relógio”, me disse um amigo. Meu modelo suíço me acompanharia no pulso esquerdo. “Chegue cedo. Há o risco de você ficar de fora, mesmo tendo convite, porque o lugar lota”, prosseguiu o amigo. O “esquenta” acontece a poucos metros dali, no iate da Red Bull, time de Sebastien Vettel e Mark Webber, um local mais “democrático”. O dia não tinha chegado ao fim (escurece depois das 21h na primavera em Mônaco) quando decidi entrar. Uma longa fila de Lamborghini, Porsche e Ferrari se formava na entrada. Na recepção, entrego o meu convite e recebo um carimbo invisível que me autoriza o acesso, metros adiante, a uma área montada como um check-in de aeroporto. Na ponte de acesso entre a marina e o barco, um elefante indiano dá boas vindas. O tema era “Destination Bollywood” (Vijay também é produtor de filmes).
Um contador de pessoas é discretamente usado pela hostess — o iate pode ter 95 metros de extensão e cinco andares, mas há um limite de gente que precisa ser respeitado. Logo depois, mais uma parada antes de chegar ao deque principal: um “valet parking” de sapatos. Os descalços eram maioria, bem como pessoas usando apenas meias. Os mais safos estavam de Havaianas. Na entrada, ganhei um “terceiro olho” de brinde. “Uma maneira de tornar seu visual mais indiano”, garantiu a bela e simpática modelo que distribuía o adereço. Impossível recusar. Bem como a taça de champanhe servida logo adiante, quando me dirigi à “discoteca”. Era um Bouvet-Ladubay Trésor, de uma vinícola comprada recentemente por Vijay na França.
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