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Teatro | 25/06/2012 13:07

Joca Terron estreia peça sobre o Bom Retiro

O escritor Joca Reiners Terron narra sua ambivalente experiência como dramaturgo de Bom Retiro 958 Metros, nova peça do grupo Teatro da Vertigem

Joca Reiners Terron, da

Eduardo Zappia/Viagem e Turismo

Estação da Luz

Estação da Luz no Bom Retiro, em São Paulo: Bairro virou palco para a primeira peça do escritor Joca Reiners Terron

São Paulo - A verdade é que sempre odiei teatro. Dito isso, fica a dúvida: “Mas se odeia teatro, por que então topou o convite para escrever a nova peça do Teatro da Vertigem, a ser encenada a partir deste mês nas ruas do Bom Retiro, bairro da região central de São Paulo?”

Como essa é uma pergunta que atravessará meu caminho, não custa antecipá-la aqui. Assim vou ganhando tempo para elaborar uma resposta que faça sentido. Não está excluída, claro, a possibilidade de uma mentira, embora não me convenha bancar o espertinho, pois a situação toda já sugere o limite de minha inteligência — afinal, aceitei o convite —, além de certa frivolidade de caráter.

Para piorar o quadro: ao ser convidado, eu sabia que o Vertigem, grupo paulistano fundado há duas décadas, monta suas criações em processo colaborativo com escritores. O método se baseia no diálogo e em improvisações para elaborar personagens e possíveis enredos.

Também sabia que ao menos um dos escritores, Bernardo Carvalho, não gostou muito da experimentação em BR3, o espetáculo de 2006, encenado no rio Tietê. Minha resposta poderia apoiar-se em todos os clichês possíveis. Gosto de desafios. Será um aprendizado. Meus horizontes se ampliarão. Nenhum deles, porém, deixaria clara a verdade, que era a de que eu odiava teatro. Não odeio mais?

A origem dessa rejeição está em meu temperamento retraído. Falo pouco. Daí me dedicar a ler e a escrever. Na escola, sempre engolia respostas às provocações dos colegas que deviam ter sido dadas na bucha. Depois me arrependia e ia embora para casa chutando cascalho. Como então gostar dessa gente expansiva que prefere a coletividade ao isolamento? A balbúrdia ao silêncio?

Ao aceitar o convite, o passo seguinte — em fevereiro de 2011 — foi me reunir com 15 pessoas (entre atores, assistentes de direção e técnicos), no Bom Retiro, para improvisos e conversas que ocupavam cinco horas diárias de segunda a sexta-feira. A intenção era identificar ambientes para a encenação e pesquisar temas por meio de jogos interpretativos. O laboratório se estendeu por três meses. Como pude?

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