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“Tive misericórdia dele. Não vai acontecer de novo”, disse Chael Sonnen
São Paulo - Há uma fala em Predador, clássico do cinema anabolizado dos anos 1980, que simboliza a grande virada do filme. “Se ele pode sangrar, ele pode ser morto”, diz o major Dutch, personagem de Arnold Schwarzenegger, ao descobrir que o alienígena assassino do título foi ferido.
O campeão de vale-tudo Anderson Silva é uma espécie de predador. Até onde se sabe, é alienígena. Vence tudo desde 2006. Fez dez defesas do título dos médios contra os melhores da categoria – e atropelou todos. É considerado pelo presidente do Ultimate Fighting Championship, Dana White, o maior lutador da história desse esporte.
Mas há um major Dutch na vida de Anderson.
Um homem que descobriu que ele pode sangrar. Um homem que venceu cinco rounds de uma disputa pelo título e lhe aplicou não dezenas, mas centenas e centenas de socos na cabeça e nas costelas. Só perdeu porque o brasileiro, a um minuto do fim, encaixou um milagroso triângulo de perna em seu pescoço.
Esse homem é um sociólogo nascido e criado em West Linn, no estado rural do Oregon. Esse homem se chama Chael Sonnen e vai lutar novamente com o brasileiro no dia 7 de julho, em Las Vegas. “Eu tive misericórdia do Anderson”, disse Sonnen em entrevista. “Isso não vai acontecer de novo.”
“Ele mexe muito com o Anderson do ponto de vista estratégico e emocional. Coloca umas minhocas na cabeça dele”, diz Fellipe Awi, jornalista e autor de Filho Teu Não Foge à Luta, livro sobre a história do vale-tudo. Longe de ser brilhante, Sonnen já perdeu para outros três brasileiros nos ringues do UFC. Mas, como bem observou o narrador Mike Goldberg, “em só um daqueles rounds, Anderson apanhou mais do que em toda a sua carreira até ali”.
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