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Campeão mundial Anderson Silva (no alto) enfrenta o japonês Yushin Okami no UFC Rio, em agosto de 2011
São Paulo - Para os não iniciados, o MMA é o fim da civilização, dois bárbaros se matando sob o pretexto de praticarem um esporte.
Mas, para os fãs, e cada vez mais para os empresários do esporte, o MMA (sigla em inglês para "Artes Marciais Mistas") é um empreendimento com rápida expansão global, especialmente no Brasil, a sexta maior economia do mundo e terra de três dos sete campeões mundiais da modalidade.
"O Brasil é disparadamente o mercado mais vibrante em todos os aspectos: ingressos, audiência de TV, merchandising, negócios digitais e até por celular, e é um dos nossos mercados de mídia social que mais crescem no mundo", disse Marshall Zelaznik, diretor-gerente de desenvolvimento internacional do Ultimate Fighting Championship (UFC), a mais conhecida entidade organizadora da prática.
Em menos de dois anos, o Brasil saltou de quinto para terceiro lugar entre os maiores mercados do MMA, atrás apenas dos EUA e Canadá, segundo Zelaznik.
"O Brasil tem mais fãs do UFC do que qualquer outro país do mundo", acrescentou ele. "Temos mais de 20 milhões de pessoas assistindo a um evento televisionado à meia-noite. As empresas estão interessadas e percebem que há uma grande demanda do consumidor. Posso lhe dizer que não há uma só reunião aqui no UFC no qual o Brasil não seja discutido." O sucesso da modalidade --que mistura técnicas do jiu-jitsu ao boxe tailandês, passando pela luta greco-romana e outras modalidades, até a capoeira-- não chega a surpreender, já que ela tem raízes profundas no Brasil. Alguns dos primeiros e mais vitoriosos expoentes do MMA eram lutadores do jiu-jitsu brasileiro, uma arte marcial de autodefesa baseada em chaves e estrangulamentos.
A família Gracie, do Rio de Janeiro, ajudou a popularizar a prática e esteve entre os competidores pioneiros nos duelos híbridos entre os praticantes de diferentes disciplinas.
O que antes era conhecido como "vale-tudo" disparou em popularidade nos últimos anos graças ao UFC. Como acontece no boxe, várias organizações disputam o controle, mas o UFC é a maior franquia. Essa entidade "limpou" e regulamentou uma prática que era, e continua sendo, violenta, e também ajudou a fazê-la render dinheiro.
O MMA já é considerado no país um sério rival do vôlei e do automobilismo como segundo esporte mais popular.
"Ele é grande já faz um tempo, mas o crescimento tem sido mais rápido ultimamente por causa do número de brasileiros bem sucedidos", disse Fabricio Hendrix, que dirige o site especializado www.mmamagazine.com.br.
"Ele também está mais legítimo. As lutas costumavam ser realizadas em ginásios, e na maioria das vezes acabavam em um banho de sangue. Não era adequadamente organizado, não havia patrocínio, não havia luvas, nada. Mas tudo isso mudou."
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