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As medalhistas de 1996 são consideradas modelo para gerações seguintes de atletas
São Paulo - As primeiras atletas com o uniforme do Brasil a subirem ao pódio dos Jogos Olímpicos, em 1996 em Atlanta (EUA), representaram uma grande mudança para o status da mulher no esporte brasileiro. Em 64 anos de participação nas Olimpíadas, nenhuma brasileira havia ainda conquistado qualquer medalha. Com o feito inédito, as esportistas marcaram a criação de um referencial de excelência feminina que serviu de exemplo para gerações seguintes. Mais do que isso, como constatou o historiador Paulo Nascimento, essas mulheres contribuíram para que, no Brasil, o sexo feminino também fosse considerado digno da prática esportiva, indo de encontro a um preconceito de longa data existente no País.
“Elas conseguiram desbravar um espaço que até então era predominantemente masculino. Enfrentaram o preconceito e demais adversidades a partir da realidade com a qual estavam envolvidas e tornaram-se referência de excelência não apenas no esporte feminino, mas para a sociedade brasileira”, conta.
Na dissertação de mestrado Mulheres no pódio: as histórias de vida das primeiras medalhistas olímpicas brasileiras, Nascimento reuniu as biografias e depoimentos de seis das 28 brasileiras que subiram ao pódio (4 do vôlei de praia – ouro e prata -, 12 no vôlei e 12 no basquete).
Para a pesquisa, desenvolvida junto ao Grupo de Estudos Olímpicos da Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) da USP, foram entrevistadas duas esportistas de cada uma das modalidades que subiram ao pódio: Jacqueline e Sandra, do vôlei de praia (ouro); Paula e Hortência, do basquete (prata); e Ana Moser e Ida, do vôlei de quadra (bronze). O objetivo era analisar e reunir os fatores que contribuíram para a conquista das primeiras medalhas femininas do Brasil nas Olimpíadas mais de meio século depois da estreia de uma brasileira nos jogos, em 1932.
Um novo referencial
O fator em comum que mais se sobressaiu entre estas atletas foi a postura de enfrentamento a um referencial completamente masculino e machista para a prática esportiva, a dissociação de valores como força e valentia como exclusivo aos homens, e um empoderamento que permitiu que lidassem não apenas com as cobranças, mas também com o preconceito contra o sexo feminino, considerado fraco ou frágil. “Isso singulariza esse grupo, pois desbravaram um caminho e alcançaram um lugar até então não ocupado”, comenta.
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