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Imigrantes portugueses à espera do navio para o Brasil, início do século XX
São Paulo - O aumento dos movimentos migratórios de europeus para as Américas nos séculos 19 e 20 favoreceu, nos dois lados do Atlântico, o surgimento de uma rede de negócios cujo objetivo era obter lucro com o recrutamento e o transporte de trabalhadores.
O fenômeno, fortemente observado na Itália e no Brasil, foi investigado durante o doutorado do historiador Paulo Cesar Gonçalves, realizado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) com bolsa Fapesp.
O trabalho deu origem ao livro Mercadores de Braços. Riqueza e acumulação na organização da emigração europeia para o Novo Mundo, recentemente lançado pela Alameda Casa Editorial com apoio da Fapesp por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações.
“A ideia era trabalhar a questão da imigração sob a ótica dos sujeitos que organizaram esse processo: as companhias de navegação, principalmente italianas, e as agências de recrutamento de imigrantes que surgiram em São Paulo. Também menciono no livro a vinda de espanhóis e portugueses para o Brasil”, disse Gonçalves.
Desde que o governo paulista decidiu subvencionar a vinda dos europeus para trabalhar na lavoura cafeeira, em meados da década de 1880, o processo foi centralizado na Sociedade Promotora de Imigração. A entidade firmava contratos com as agências de recrutamento, dentre as quais se destacava a Angelo Fiorita & C.
Essas empresas, por sua vez, contratavam as companhias de navegação italianas para trazer os imigrantes, que eram arregimentados no interior do país pelos agentes de emigração.
“O primeiro contrato foi para trazer 6 mil imigrantes. Com o tempo, o número foi aumentando. Chegaram a fazer contratos para 60 mil trabalhadores”, contou Gonçalves.
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