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André Liohn viajou para Líbia, Síria e Somália para cobrir de perto a zona de conflito e a guerra nestes países
São Paulo - Imagine um lutador de MMA prestes a subir ao ringue. Ele sabe que mesmo se tudo der certo vai apanhar muito, vai sangrar, se machucar e sofrer. É mais ou menos assim que o fotógrafo de guerra André Liohn, de 39 anos, se sente ao viajar para zonas de conflito como Líbia, Síria e Somália. Com uma diferença.
“Numa luta, por mais que os dois se arrebentem, tem um momento em que alguém vai intervir”, diz o brasileiro que, em abril, tornou-se o primeiro sul-americano a receber o Robert Capa Gold Medal, mais importante prêmio para fotografias de conflito do mundo. “Na guerra, não é assim. A existência de pais, mães, filhos é interrompida violentamente. É o que eu quero mostrar no meu trabalho. O momento do trauma.”
Em uma das doze imagens vencedoras do prêmio, feita ano passado, na Líbia, o trauma se traduz nos últimos instantes de um homem. Atingido na perna pelo estilhaço de um tiro de canhão, ele morreu em menos de 2 minutos. Liohn estava ao seu lado, registrando tudo com uma grande angular de 28 milímetros, a única lente que usa nas coberturas. Criado num bairro pobre de Botucatu, interior paulista, numa família desestruturada, só fez o primário, mudou-se para a Europa aos 20 anos com alguns dólares e abraçou a atual profissão há dez.
Quando dois combatentes arrastaram o companheiro agonizante em meio a uma sequência ininterrupta de explosões, Liohn correu junto deles até um galpão próximo, filmando tudo com a mesma câmera. Enquanto captava o momento em que um torniquete era atado à perna do ferido, um disparo de fuzil explodiu a parede atrás dele e um fragmento da bala atingiu-lhe o pescoço. “Eu caí no chão, senti um corte, um negócio quente… Na hora me perguntei ‘estou funcionando ainda? Estou’.” Só foi a um hospital tirar o metal da nuca depois de pôr o rebelde, já sem vida, numa ambulância.
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