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Estudo aponta que os calçados com solas altas e repletas de amortecimento são os culpados por músculos dos pés enfraquecidos
São Paulo - O livro Nascido para Correr, de Christopher McDougall, despertou a curiosidade de milhares de corredores em 2009. Como podiam índios mexicanos correr ultramaratonas apenas com sandálias de borracha e ter menos lesões que atletas a bordo de calçados ultratecnológicos?
Solados com excesso de amortecimento impedem que o corredor sinta as mudanças sutis do impacto e se adapte a elas, afirmaram os defensores dessa corrida rente ao chão. Teoria que ganhou força com Daniel Lieberman, professor de biologia evolutiva humana na Universidade de Harvard (EUA). Em testes com corredores no Quênia, em 2009, ele se convenceu de que a corrida com pés descalços estimulava a aterrissagem com o antepé, o que, por sua vez, reduzia o impacto, em relação à aterrissagem com o calcanhar (feita com tênis).
Era o início de uma revolução ainda em curso. Hoje vemos corredores de todo o mundo trocando seus tênis com amortecimento e/ou estabilidade por calçados minimalistas, simulando algo bem próximo a uma corrida com os pés descalços. Os fabricantes que vendiam — e continuam vendendo — tênis mais estruturados entraram com força nesse mercado. Na esteira dos lançamentos, surgiram os questionamentos.
A corrida com os pés descalços — ou algo muito parecido — é para todos? Como devo adaptar meus treinos a essa modalidade? Vale treinar descalço na academia? E a postura e a pisada, mudam com os pés descalços ou nós devemos alterar a postura, independentemente do que vestimos nos pés? Nós fomos atrás dessas respostas para você saber muito bem por onde pisa.
A poeira baixou
Em 2010, um estudo de Daniel Lieberman colocou mais lenha nessa fogueira e incendiou o mercado de tênis para corrida. Nele, o professor afirmava que os calçados com solas altas e repletas de amortecimento eram os culpados pela aterrissagem nos calcanhares e por músculos dos pés enfraquecidos. Já aqueles acostumados a correr descalços, como os quenianos, aterrissariam de forma mais suave – com menor impacto inicial e maior flexibilidade.
3 passos para tirar o tênis
O estudo teve repercussão mundial e alavancou as vendas de um velho conhecido dos velejadores: o Vibram FiveFingers, lançado em 2006, conquistava as pistas de corrida calçando (literalmente) como uma luva os pés de atletas. Segundo os entusiastas da corrida quase descalça, com a aterrissagem com o antepé, o pé fica menos tempo no solo, gira menos para encontrar equilíbrio, o que evitaria o excesso de rotação e as lesões relacionadas a esse excesso.
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