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Às margens de um rio que parece mar, quente no verão e gélida no inverno, Buenos Aires é o cruzamento de diferentes culturas e tipos humano
São Paulo - Houve uma época em que o primeiro destino estrangeiro da vida do brasileiro médio era Ciudad del Este, no Paraguai. Hoje os tempos são outros. As passagens aéreas estão cada vez mais acessíveis e pacotes para a Europa e os Estados Unidos podem ser parcelados em 10 vezes. E dá-lhe malas cheias vindas de Miami e Nova York! No entanto, já há algum tempo Buenos Aires é a rainha indisputável dos brasileiros.
Os preços não estão assim tão atraentes como no passado recente e aqui e ali nota-se uma queda geral no padrão de vida. No entanto, a composição de boa comida, uma paisagem urbana tão clássica como moderna e o encantador charme dos portenhos nos fazem amar esta cidade.
Às margens de um rio que parece mar, quente no verão e gélida no inverno, Buenos Aires é o cruzamento de diferentes culturas e tipos humanos. Muito além do gaúcho dos pampas e dos bravos vaqueiros da Patagônia, seu movimentado porto acolheu (e viu passar) cargueiros ingleses, exploradores nórdicos, imigrantes italianos e espanhóis.
Essa confluência de idiomas e gostos dotou a capital da Argentina de um ar notadamente cosmopolita, com refinados teatros, inúmeras livrarias e uma distinta arquitetura neoclássica. A presença britânica se faz notar na preferência por esportes como polo, hóquei na grama, rúgbi e, é claro, futebol, a paixão que mais nos une do que nos distancia.
Dois dias em Buenos Aires é pouco, mas já vale uma grande visita.
Dia 1
A Buenos Aires de clichês pode render, no mínimo, boas fotos. Portanto, não a despreze. O nosso roteiro começa justamente no cartão-postal mais manjado da capital, o Caminito. As fachadas coloridas do curto calçadão é o centro de uma colônia de artistas encravada no bairro operário de La Boca. Há muita pobreza aos olhos, mas sente-se também um ar misteriosamente melancólico.
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