No caminho de Frazier tinha Muhammad Ali

Um campeão se mede por seus rivais. Joe Frazier, morto no dia 7 de câncer no fígado, um dos maiores pugilistas de todos os tempos teve Muhammad Ali

São Paulo – Um campeão se mede por seus rivais. Senna enfrentou Prost, Mansell, Piquet. Djokovic é obrigado a encarar Federer e Nadal. Andre Agassi teve Pete Sampras. O enxadrista Garry Kasparov teve o computador Deep Blue (de certo modo, o tamanho Anderson Silva, para a história, será medido quando ele combater alguém que o ameace realmente, coisa que ainda não aconteceu).

Joe Frazier, morto no dia 7 de câncer no fígado, um dos maiores pugilistas de todos os tempos, teve Muhammad Ali. Foi a época de ouro do boxe, um esporte que tinha alguma elegância antes da era de violência de rua de Mike Tyson e da pancadaria do UFC. As três lutas com Ali estão entre as mais brutais jamais disputadas. A última, em 75, vencida por Ali por pontos, ficou para a posteridade como o Thrilla in Manilla. Ali suportou os últimos rounds com a mandíbula fraturada. Ambos acabaram passando uma longa temporada no hospital. Frazier achava que era parcialmente responsável pelo fato do inimigo ter desenvolvido o Mal de Parkinson.

Smokin’ Joe, como o chamavam, era mais feio, mais baixo – e mais negro que o bonito, articulado e provocador Ali. Não apenas a mídia sabia disso e deixava clara sua predileção: o próprio adversário, em suas provocações, explorava esse fato e o xingava de feio, gorila e uncle tom (a expressão para designar negros submissos aos brancos). O encontro em Manila foi de dois homens que se odiavam, mais do que de dois lutadores.

Frazier nunca esqueceu as ofensas e só declarou ter perdoado Ali poucos anos antes de morrer. Foi soberbo no ringue, uma máquina de eficiência, dono do gancho de esquerda mais devastador da história. Ali foi maior, sabemos. Mas ele não teria sido uma sombra do que foi se não tivesse enfrentado um gigante como Joe Frazier.

Melhores Momentos da terceira luta Joe Frazier vs Muhammad Ali (Thrilla in Manila):