Burton e Johnny Depp juntos novamente em “Sombras da Noite”

O diretor americano confessou que foi o próprio Depp, seu amigo pessoal, que lhe convenceu a dirigir a adaptação da série de TV americana

Londres – O diretor americano Tim Burton afirmou que o popular ator Johnny Depp “sempre quis interpretar Barnabas Collins”, o vampiro protagonista de seu último filme, “Sombras da Noite”, que estreia nesta sexta-feira nos Estados Unidos e na Europa e chega no dia 22 de junho ao Brasil.

Em entrevista à Agência Efe, Burton confessou que foi o próprio Depp, seu amigo pessoal, que lhe convenceu a dirigir esta adaptação da série televisiva americana de mesmo nome, produzida na década de 1960 e da qual ambos eram fãs.

Depp, que não participou da apresentação do filme à imprensa em Londres, interpreta Barnabas, rico empresário inglês nos Estados Unidos do século 18 que quebra o coração de Angelique (Eva Green), uma bruxa que o castiga transformando-o em vampiro e enterrando-o vivo.

Dois séculos depois, Barnabas é despertado de seu caixão na cripta familiar e tentará ajudar seus descendentes, liderados pela matriarca Elizabeth (Michelle Pfeiffer), a recuperar o nome da família Collins.

Mal sabem os Collins que Barnabas é um dos seus antepassados mais distantes, um vampiro de 175 anos que acorda sedento por sangue e morto de saudades do seu antigo e verdadeiro amor, Josette.

Trata-se de uma extravagante história gótica de romance e terror com toques de humor no mais puro estilo Tim Burton, que reúne um elenco de estrelas no qual também está sua esposa e habitual colaboradora, Helena Bonham-Carter.

Para Burton, trabalhar com Depp neste filme envolveu “uma nova dinâmica” em relação às colaborações anteriores – é o oitavo filme dos dois -, já que o personagem de Barnabas “era muito especial para Johnny”.

“Eu acho que sempre quis interpretá-lo, mesmo antes de ser ator”, disse à Efe o diretor.

Além de Depp, que também produz o filme, outra fã da série era Michelle Pfeiffer, que confessou que ligou pessoalmente para Burton para pedir um papel no filme.

“Não costumo fazer isso, mas sempre fui obcecada por essa série de vampiros e pensei que precisava estar ali”, declarou à Efe a atriz de 54 anos, que, segundo disse, tentou dotar Elizabeth de “mistério, mas também de humor”.


Um dos elementos mais atrativos do filme é que Barnabas, um vampiro com ares de dândi arcaico, acorda nos anos 70, povoado por hippies tardios embalados pelas músicas de Elton John e Alice Cooper.

“É curioso, mas, ao pesquisar para o filme, me dei conta que nos anos 70 também havia muitos góticos, portanto ambos períodos encaixavam bem”, disse Burton, que consegue neste contraste muitos dos momentos divertidos do filme.

Em suas tentativas de salvar o nome da família, Barnabas terá que enfrentar a ambiciosa empresária Angie, reencarnação da bruxa que o enfeitiçou, o que provoca combates e encontros sexuais dos quais saem faíscas.

“Gostei de interpretar Angelique, uma personagem complicada, brincalhona e irreverente, mas com senso do humor e talvez um pouco má: afinal de contas, é preciso reconhecer que coloca seu amante em um caixão, ainda que tenha boas razões para isso”, afirmou Eva Green.

Para a atriz francesa, este tipo de personagens sensuais e explosivos “são divertidos de fazer”, já que, segundo confessa, ela é exatamente o oposto: “Muito tímida e um pouco estranha”.

A rival da feiticeira é Victoria – reencarnação de Josette -, ambas interpretadas pela australiana Bela Heathcote, que com este angelical, mas inquietante papel entra pela porta da frente de Hollywood.

Já a atriz britânica Helena Bonham-Carter disse em tom de brincadeira à Efe que esperava que seu marido tivesse lhe dado o papel de “bruxa sexy”, mas acabou ficando com o da “psiquiatra bêbada”.

“Bom, a verdade é que nunca tinha interpretado uma psiquiatra bêbada, portanto me diverti bastante”, contou entre risos.