Assalto ao Banco Central retrata crime quase perfeito

Estreia do cinema nacional reconstrói a ação dos bandidos que cavaram, durante três meses, um túnel de 83 metros ligando uma casa ao cofre do Banco Central do Brasil

São Paulo – Lima Duarte exemplificou bem o que foi o roubo de R$ 167,7 milhões do Banco Central do Brasil, ocorrido em Fortaleza, em 2005. “É o típico caso de roubar e não poder carregar”, disse o ator durante a exibição do longa “Assalto ao Banco Central”, na semana passada, durante encerramento do Festival de Cinema de Paulínia. O filme estreia hoje no circuito comercial e reconstrói a ação dos bandidos que cavaram, durante três meses, um túnel de 83 metros ligando uma casa ao cofre do banco. O roubo foi considerado um dos maiores e mais ousados do mundo. “Sabe quanto pesava todo esse dinheiro?”, questionou Lima Duarte. “Quase quatro toneladas.” O roteiro é baseado no livro homônimo, de autoria de Renê Belmonte e J. Monteiro, lançado recentemente pela editora Agir.

O longa tem direção de Marcos Paulo e os bandidos são interpretados por Milhem Cortaz, Eriberto Leão, Tonico Pereira e Gero Camilo, entre outros. Do outro lado, Lima Duarte e Giulia Gam encarnam os policiais responsáveis pela investigação.

Embora seja inspirado no roubo, o longa-metragem não mostra exatamente como tudo ocorreu na vida real. “Até porque é impossível saber como foi”, pondera Marcos Paulo. O assalto foi feito sem tiros ou disparo de alarme. As especificações do túnel e a forma como os bandidos conseguiram entrar no cofre sem serem detectados, no entanto, foram mostradas da forma como tudo ocorreu na realidade. “Tivemos acesso ao processo e aos laudos técnicos da perícia”, explicou o diretor.

Além disso, os personagens do filme não correspondem exatamente aos reais. “Ficamos preocupados de os bandidos nos processarem por usarmos sua imagem indevidamente”, brincou o diretor. Na verdade, seria inviável colocar na tela todos os envolvidos, já que esse número passa de 30 pessoas. Assim, vários personagens foram mesclados em um, num total de 13 bandidos. Cada um com uma função definida e nome autoexplicativo. Milhem Cortaz é o Barão, comandante da operação. Doutor (Tonico Pereira) é o engenheiro responsável pelo túnel. Tatu (Gero Camilo) é o sujeito contratado para cavar, e assim por diante. Eriberto Leão interpreta Mineiro, figura acima de qualquer suspeita que lida com a vizinhança enquanto o bando age.

Na vida real, ao todo, 134 pessoas foram envolvidas no crime, sendo que 36 estavam diretamente ligadas à ação. Na construção do túnel, trabalharam cerca de 12 pessoas. Dessas 36, quatro morreram, duas foram absolvidas e duas ainda continuam foragidas. O assalto ao Banco Central do Brasil em Fortaleza foi um das ações mais bem planejadas do País e, do total roubado, menos de R$ 50 milhões foram recuperados. “Foi, de fato, um assalto bem-sucedido. Os cabeças estão gozando da grana em algum lugar do mundo”, afirmou o diretor.

O núcleo policial é capitaneado por Lima Duarte, que interpreta o investigador Chico Amorim. Giulia Gam é a investigadora Telma Monteiro. “Hoje, a maioria dos atores é ligada à internet. Eu tenho outra formação. Acho que o policial que eu fiz combina com essa formação”, disse Lima.

Por mais que o filme passe a impressão de que algo muito sério aconteceu, ele é repleto de humor. Segundo Marcos Paulo, a ação foi tão inacreditável que parece piada. “Tudo é um grande deboche no Brasil.” De fato, em diversos momentos, a plateia de Paulínia gargalhava. A ousadia dos bandidos, aliada à corrupção da polícia e à morosidade da Justiça, fizeram com que cenas sérias parecessem piada pronta. As informações são do Jornal da Tarde.