Tecnologia ameaça metade dos empregos da UE, diz Brugel

Novas tecnologias podem tornar obsoletos mais da metade dos empregos na União Europeia, de acordo com cálculo de think tank com base em estudo de Oxford

São Paulo – Mais da metade dos empregos da União Europeia correm o risco de sumir nas próximas décadas por causa do avanço tecnológico, segundo o think tank Bruegel.

O cálculo tem como base um estudo feito no final do ano passado por Carl Benedikt Fre e Michael A. Osborne, da Universidade de Oxford.

A dupla analisou detalhadamente 702 tipos de ocupação com critérios de “necessidade de inteligência social”, “criatividade” e “percepção e manipulação” para avaliar quais são mais vulneráveis à substituição por computadores no espaço de 10 a 20 anos.

O Bruegel pegou esses dados e aplicou para o cenário europeu. As estimativas variam entre menos da metade de empregos vulneráveis (como nos Estados Unidos) até mais de 60%.

Naturalmente, os países mais ricos do norte (como Noruega) tem menos empregos em risco do que os periféricos (como Romênia). Nos 28 países do bloco, a média ficou em 54% (veja infográfico).

A razão para isso é que a tecnologia tem obtido sucesso em terrenos que até pouco tempo atrás eram considerados exclusivos da ficção científica (como carros que se dirigem sozinhos e ferramentas de inteligência coletiva).

No livro “A Segunda Era das Máquinas”, Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee afirmam que um ponto de inflexão foi atingido e deve levar a uma mudança econômica equivalente à Revolução Industrial.

A importância crescente do conhecimento também amplia (e vai ampliar cada vez mais) o fosso de oportunidades entre os mais e menos qualificados, piorando a distribuição de renda, como alertou a OCDE em relatório com perspectivas para os próximos 50 anos.

De uma forma ou de outra, os números devem ser vistos com algum ceticismo. É impossível prever quantos e que tipos de empregos serão gerados pelas novas tecnologias, e com qual velocidade elas serão adotadas em cada lugar.

Previsões de longo prazo com base em avanços técnicos dependem de muitas variáveis, e alguns autores alertam que o risco da automatização tem sido superestimado.