Sorvete popular ganha mercado no Nordeste

Produto tem mais de cem variedades comercializadas em seis estados

Brasília – Em 1987, Silvio Milet largou o emprego em uma multinacional para apostar no próprio negócio. Ele ouviu de um conhecido que a produção e venda de sorvetes populares – mais simples, sem embalagens e de baixo custo – era um filão rentável.

Próximo a um dos principais pontos turísticos de Recife (PE), a praia da Boa Viagem, ele conseguiu emprestado um quartinho de 9 m². Era ali que produzia diariamente cerca de 500 picolés, ou sorvetes de palito, como o produto é chamado em algumas regiões do Brasil. A produção de um dia acabava toda no período da manhã. Por volta de 11h já não havia mais nada.

Silvio contratou um ajudante e um ano depois mudou-se para um imóvel de 40 m². Em 1999, o empreendedor recebeu uma visita de consultores do Sebrae dispostos a dar um novo direcionamento ao empreendimento. A consultoria, custeada pela instituição, estimulou o empresário a criar uma marca e dar nome ao produto, além de aperfeiçoar o processo de embalagem. Ali nascia a Sorvetes Milet, hoje uma das maiores de Pernambuco com vendas também em Salvador (BA), Aracaju (SE), Maceió (AL), João Pessoa (PB) e Natal (RN). “O Sebrae chegou na hora certa em que eu estava insatisfeito com o negócio”, lembra.

Silvio Milet mantém segredo sobre a produção diária de sorvetes como estratégia para lidar com a concorrência. Mas revela outros números que dão ideia de quanto seu empreendimento cresceu ao longo de 25 anos. A fábrica atual de mil metros quadrados e com 65 funcionários, em Recife, será transferida para um novo prédio de 4,4 mil metros quadrados na cidade de Limoeiro, a 70 km da capital pernambucana. Quinze caminhões distribuem os sorvetes pelos estados São 200 carrinhos para a venda nas ruas e praias e três mil refrigeradores da marca estão espalhados por pontos de venda.

Ao todo são mais de cem tipos de sorvetes, tanto em pasta quanto de palito. Muitos deles fazem concorrência direta com as grandes marcas do produto que dominam o mercado nacional. “Meus preços, no entanto, são de 20% a 30% mais baratos”, garante Silvio Milet.