Saúde tem quase 40% de peso na alta do IPC-Fipe

Ao avaliar o indicador geral de inflação no início do mês, Costa Lima destacou a desaceleração do grupo Habitação, com alta de 0,14%, ante 0,25% em abril

São Paulo – O grupo Saúde intensificou, na capital paulista, o ritmo de alta no âmbito do Índice de Preços ao Consumidor (IPC). Entre a quarta quadrissemana de abril e a primeira de maio, o grupo saiu de uma variação de 1,31% para 1,58%, influenciado pelo reajuste de até 6,31% no preço dos medicamentos, autorizado pelo governo.

“Já são quatro semanas que estamos captando alta dos remédios, mas, na primeira, o impacto foi parcial. Talvez ainda suba mais. Provavelmente, o pico deve acontecer na próxima leitura (segunda)”, avaliou o coordenador do IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Rafael Costa Lima, acrescentando que o grupo Saúde teve uma contribuição de 39,14% no IPC da primeira medição de maio.

Ao avaliar o indicador geral de inflação no início do mês, Costa Lima destacou também a desaceleração do grupo Habitação, que registrou alta de 0,14%, ante 0,25% no fechamento de abril.

“Tem um peso grande (da redução) do PIS/Cofins sobre energia elétrica (-1,81%), que veio baixa. Deve continuar caindo. Além disso, já está entrando (no IPC) a redução nas tarifas de telefone”, afirmou.

Por outro lado, ressaltou, os preços de roupas e acessórios avançaram 0,30%, de 0,19%, influenciados pela chegada de produtos da nova coleção às lojas, disse o economista.

O grupo Despesas Pessoais também voltou a exercer pressão de alta sobre o IPC da primeira quadrissemana de maio ao ficar com taxa positiva de 0,33%, após recuo de 0,12% no encerramento do mês passado.

Segundo Costa Lima, a mudança de sinal foi puxada pelo aumento nos preços de pacotes de viagem, que subiram 1,63%, ante queda de 2,60%. As tarifas de passagens aéreas, por sua vez, continuaram caindo, mas em menor magnitude. Saíram de declínio de 2,67% no fim de abril, para retração de 1,46% na leitura em questão. “Continuam em queda, mas não traz muito alívio. Também tem a alta de bebidas não alcoólicas (1,83%)”, disse.

Quanto ao grupo Transportes, que mostrou variação de 0,30% na primeira quadrissemana, frente a 0,28% no encerramento do mês passado, Costa Lima disse que a taxa foi impulsionada pelos itens automóvel novo (0,85%) e usado (0,55%). “Os preços dos combustíveis não mudaram tanto”, disse, referindo-se às variações da gasolina, que saiu de queda de 0,04% para alta de 0,05%, e do etanol (de aumento 0,32% para elevação 0,18%). Parece que a nova safra de cana ainda não começou”, avaliou.