Safra de laranja de SP e MG fica acima do previsto

Até novembro, segundo o Fundecitrus, 72 por cento da safra havia sido colhida

São Paulo – A safra de laranja do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, que atende à indústria de suco do Brasil, ficará ligeiramente acima da projeção inicial para este ano, mas ainda assim será menor que a registrada na temporada passada, segundo avaliações de integrantes do setor.

A colheita 2015/16 da principal região citrícola do Brasil, o maior exportador de suco de laranja, agora foi estimada em 286,14 milhões de caixas de 40,8 kg, aumento de 2,6 por cento em relação à primeira estimativa publicada em 10 de maio, de acordo com levantamento divulgado nesta quinta-feira pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), uma entidade privada mantida pelas indústrias e produtores.

“O aumento apurado se deve justamente ao tamanho dos frutos, que estão maiores do que o previsto. Por consequência, são necessários menos frutos para atingir o peso de 40,8 kg de uma caixa”, afirmou o Fundecitrus em nota, explicando que as chuvas nos últimos meses promoveram o aumento do tamanho dos frutos.

Mas, segundo avaliação da associação de exportadores de suco, CitrusBR, a safra atual é menor que a do ano passado, prevista em 317 milhões de caixas, por falta de chuvas na época de formação dos frutos.

O Fundecitrus não fez tal estimativa para a safra do ano passado. Segundo o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, faltou chuva em períodos anteriores importantes para a formação da safra e mais recentemente choveu demais, o que tem um impacto negativo no rendimento industrial.

“Já sabemos que vai ser o pior rendimento industrial da história do setor. Tivemos múltiplas floradas, o que resulta em frutos com diferentes pontos de maturação. Isso tem impacto no rendimento. E a segunda questão é laranja aguada, choveu bastante, o fruto ficou grande, mas está cheio de água”, afirmou Netto.

A colheita está na fase final. Até novembro, segundo o Fundecitrus, 72 por cento da safra havia sido colhida, sendo que o percentual de talhões colhidos das variedades Hamlin, Westin e Rubi é de 98 por cento, das outras precoces de 82 por cento, da Pera Rio 83 por cento, da Valência e da Valência Folha Murcha 56 por cento e da Natal 52 por cento.

Impacto para produção de fruto

“A safra é menor por menos chuvas na época do desenvolvimento e tem rendimento muito pior, por conta das chuvas recentes”, disse o diretor-executivo da CitrusBR, acrescentando que isso terá impacto na produção de suco do maior exportador global.

Segundo ele, o volume de produção de suco vai depender do rendimento ao final da safra, mas já se sabe que será menor do que as 889 mil toneladas projetadas anteriormente para a temporada 2015/16.

“Provavelmente vai ser menor, por conta do rendimento”, disse ele, acrescentando que isso fará o setor passar para a próxima safra com estoques de suco brasileiro no mundo em níveis historicamente baixos, em torno de 300 mil toneladas.

Anteriormente, a CitrusBR havia estimado que os estoques finais de suco de laranja brasileiro no mundo cairiam para 329,7 mil toneladas em 2015/16 (em 30 de junho de 2016), ante 510,4 mil toneladas na mesma data da safra 14/15.