Riqueza na América Latina caiu 17% pela alta do dólar

O relatório aponta que, de uma riqueza global de US$ 250 tri, US$ 7,4 bi correspondem à América Latina, US$ 1,5 bi a menos que no período precedente

Genebra – A riqueza na América Latina reduziu 17% entre meados de 2014 e de 2015, principalmente pela apreciação do dólar diante da maioria de moedas da região, de acordo com um estudo realizado pelo banco suíço Credit Suisse sobre a riqueza no mundo.

O relatório aponta que, de uma riqueza global de US$ 250 trilhões, US$ 7,4 bilhões correspondem à América Latina, US$ 1,5 bilhão a menos que no período precedente.

Globalmente, a riqueza caiu US$ 12,4 bilhões devido aos movimentos cambiais frente ao dólar, o que constratou com uma tendência que na realidade foi positiva com relação à criação de riqueza no período analisado.

Desta maneira, a riqueza média na região se situa em US$ 18,5 mil por adulto, frente a uma média global de US$ 52,4 mil.

Os máximos regionais estão na América do Norte (Estados Unidos e Canadá), onde a riqueza acumulada por cada adulto chega a US$ 342 mil, seguidos da Europa, com US$ 128,5 mil.

Segundo os analistas do Credit Suisse, a porção de ativos financeiros aumentou como porcentagem da riqueza total no mundo.

O estudo recalca igualmente que 1% dos indivíduos mais ricos possui a metade de toda a riqueza doméstica do planeta.

Entre os exemplos que o relatório oferece figuram as economias do Chile e Brasil, duas que se destacam na região latino-americana.

Os autores do relatório comparam a economia chilena com as da Argentina e Brasil e concluem que o Produto Interno Bruto (PIB) da primeira cresce a um ritmo mais acelerado (34% superior ao argentino e 22% acima do brasileiro), enquanto a inflação é menor.

A constatação mais surpreendente tem a ver com o “contraste da riqueza doméstica” entre estes países, pois a dos lares no Chile é “mais do que o dobro” que no Brasil e “quatro vezes maior ” que na Argentina.

Desde o ano 2000, a riqueza por pessoa no Chile progrediu 171% e está dividida quase em partes iguais entre ativos financeiros e bens imóveis.

Os ativos do primeiro tipo se expandiram graças a uma baixa inflação, mercados financeiros bem desenvolvidos e um sólido sistema de pensões.

Em comparação com o resto do mundo, o Chile tem mais pessoas no setor de US$ 10 mil a 100 mil de riqueza e menos abaixo de US$ 10 mil e acima de um milhão.

Sobre o Brasil, o relatório destaca que a riqueza doméstica quase triplicou entre os anos 2000 e 2014, passando de US$ 8 mil por adulto a US$ 23,4 mil no ano passado.

No entanto, a queda de cerca de 30% do real frente ao dólar entre meados de 2014 e de 2015 reduziu o valor da riqueza por adulto a apenas US$ 17,6 mil.

Os analistas disseram que, deixando de lado as oscilações da taxa de câmbio, a riqueza na realidade subiu 5,9% no Brasil ao longo desses 12 meses e aumentou a uma média anual de 5,7% desde 2010.

O Brasil também tem mais população na categoria de US$ 10 mil a 100 mil comparativamente ao resto do mundo, o que não significa que as desigualdades sejam menores do que a média mundial, esclarece o Credit Suisse.

Essas desigualdades se refletem na renda, que por sua vez são produto dos grandes desníveis na educação e da persistente lacuna entre a economia formal e informal.