Porta-vozes baixam expectativas de solução da dívida grega

"Sem uma base de decisão, a reunião desta noite será um conselho de consultas", declarou Seibert, porta-voz da chanceler alemã Angela Merkel

Vários representantes de países europeus baixaram as expectativas referentes ao que poderá acontecer em Bruxelas, na reunião de emergência sobre a Grécia, mostrando-se descrentes quanto a uma solução hoje (22).

Uma das mensagens mais importantes neste sentido veio de Berlim, com o porta-voz da chanceler alemã, Angela Merkel, sobre quem estão postos todos os olhos na reunião desta segunda-feira.

Steffen Seibert diz que o encontro dos chefes de Estado e de governo na zona do euro poderá não passar de uma reunião meramente consultiva. “Sem uma base de decisão, a reunião desta noite será um conselho de consultas”, declarou Seibert.

No mesmo sentido, durante a entrada dos ministros das Finanças da zona do euro, que preparam a reunião, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, deu a entender que este não será o Dia D.

“Vou deixar que as instituições deem a sua opinião primeiro. Vamos ver se é possível fazer uma avaliação final”, afirmou ele, que também é ministro das Finanças holandês, quando questionado sobre os progressos nas negociações com Atenas.

Alguns ministros das Finanças foram ainda mais longe e mostraram o seu pessimismo, considerando que a reunião do Eurogrupo desta segunda-feira pode ser uma perda de tempo, uma vez que as propostas da Grécia já chegaram tarde e houve pouco tempo para serem avaliadas.

“Tenho baixas expectativas. Não vejo um desfecho hoje”, disse aos jornalistas o ministro das Finanças da Finlândia, Alexander Stubb, que foi mais longe ao afirmar que este dia “é um gasto de milhas”.

O ministro das Finanças irlandês, Michael Noonan  vê dificuldades em o Eurogrupo preparar a reunião desta noite. O  responsável pelo tesouro da Bélgica, Johan van Overtveldt, disse que não sabe exatamente o que estará em cima da mesa quanto às propostas gregas. “Estou um pouco confuso”, disse. 

A Grécia está a poucos dias de ter de pagar 1,6 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional, em 30 de junho.

Sem um acordo quanto às medidas a adotar por Atenas, os parceiros europeus e os credores não abrem mão, pelo menos parte, da última parcela do programa de resgate – de 7,2 mil milhões de euros – o que coloca o país muito próximo do não cumprimento e aumenta o risco de uma saída da Grécia da zona euro – o Grexit.