Produtos para mulheres são 7% mais caros do que para homens

O departamento comparou a versão feminina com a masculina de mais de 800 produtos de 90 marcas vendidas em lojas de departamento e supermercados

Um estudo publicado pelo Departament of Consumer Affairs (DCA) da cidade de Nova York confirmou o que algumas consumidoras já desconfiavam: produtos direcionados para o público feminino são, em média, mais caros do que os mesmos vendidos para os homens.

Lá fora, este fenômeno é chamado de Pink Tax, ou Imposto Rosa, em tradução livre.

O estudo deu ainda mais gás às discussões relacionadas à desigualdade de gênero, que já é comprovada em diversos âmbitos na sociedade, mas sobretudo nos salários pagos para homens e mulheres.

Ou seja, além de a mulher receber, em média, 24% menos que os homens, elas ainda pagam mais caro para adquirir os mesmos produtos — mas com o detalhe de serem da cor rosa.

O departamento comparou a versão feminina com a masculina de mais de 800 produtos de 90 marcas vendidas em lojas de departamento e supermercados.

Todos os produtos à venda tinham duas únicas diferenças: a cor da embalagem (rosa ou azul) e o direcionamento ao público (feminino ou masculino).

Foram analisados brinquedos, acessórios e roupas de crianças, roupas de adultos, produtos de cuidados pessoais e produtos de cuidados para a casa.

Em média, os produtos para as mulheres custam 7% mais que os similares para homens.

O estudo estima que, por ano, as mulheres gastam aproximadamente US$ 1.351 a mais (ou R$ 5.343,48) de Pink Tax para adquirir os mesmos produtos.

Dependendo dos setores destes produtos, a diferença é ainda mais gritante.

Entre produtos de cuidados pessoais, por exemplo, as mulheres pagam 13% a mais, em média, mas há produtos que podem custar 50% a mais.

(Reprodução/ DCA)

 

As roupas para adultos não ficam muito atrás. Enquanto um jeans simples masculino sai US$ 68, para a mulher, ele está US$ 88. O mesmo acontece com camisetas. Para produtos para idosos/casa, os preços para o público feminino aumentou 8%.

(Reprodução/ DCA)

Para as crianças, as diferenças continuam. De 106 produtos analisados, todos apresentaram valores mais altos para as meninas — sendo que apenas o diferencial entre ambos os produtos é a cor.

 

 

 

O mesmo acontece com as roupas infantis, dentre as quais as meninas pagam 4% a mais, em média.Julien Menin, autora do estudo do DCA, diz que os números comprovam umadiscriminação de gênero e, compondo isto, as mulheres ainda ganham menos que os homens.

Nos EUA, as mulheres ganham 79 centavos para cada um dólar pago para um homem. “É uma dupla injustiça. E isto não acontece apenas em Nova York. Você vê isto aplicado em todos os lugares do mundo”, disse Julien ao The Washington Post.

O The Washington Post contatou a Target, uma das maiores lojas de departamento dos Estados Unidos. O porta-voz da empresa afirmou que iria baixar os preços dos produtos que apresentaram diferença e acrescentou que tudo não passou de um “erro de sistema”.

Sobre a diferença de preços entre os brinquedos para meninos e meninas — principalmente daqueles que eram os mesmos, só mudavam a cor — a loja afirmou que a discrepância pode estar relacionada com os custos de produção e outros fatores simulares.

E aqui no Brasil?

Por aqui ainda não há nenhuma pesquisa sobre o “Pink Tax”, mas não é difícil observar preços diferentes em alguns produtos e serviços, como o corte de cabelo.

Segundo a coordenadora institucional da Proteste – Associação dos Consumidores, Maria Inês, não é proibido diferenciar preços de produtos similares, mesmo que sejam apenas de cores diferentes.

O mesmo vale para estabelecimentos que prestam serviços, como os salões de beleza.

A coordenadora critica a falta de debates sobre a diferenciação de preços em produtos e serviços.

“Está tão enraizado que nem questionamos mais. As mulheres pagam mais caro em salões de beleza e em produtos de cuidados pessoais, enquanto os homens pagam mais caro para entrar em baladas. Precisamos nos questionar quais são os motivos desta diferenciação.”

Ela acrescenta que a Proteste nunca recebeu uma reclamação relacionada aos preços diferenciados por gênero.

“A gente sabe que existe e nenhuma atitude é tomada. As pessoas não reivindicam sobre isto”, disse.

Enquanto não há estudos que comprovem a discrepância de preços entre os mesmos produtos para homens e mulheres, nem há proibições relacionadas ao tema, pode-se concluir pesquisar e comparar preços ainda é a melhor alternativa para economizar.