Problema do país é falta de investimento, diz professor

De acordo com professor emérito da Universidade Columbia, a taxa de investimento não vai aumentar enquanto a economia não voltar a crescer

São Paulo – O principal problema da economia brasileira atualmente é a falta de investimento, avaliou nesta segunda-feira, 27, o professor emérito da Universidade Columbia, em Nova York, Alberto Fishlow, durante teleconferência para analisar o cenário pós-eleições no país.

De acordo com ele, a taxa de investimento não vai aumentar enquanto a economia não voltar a crescer.

O especialista ponderou que, com a reeleição de Dilma Rousseff, o investimento não irá desaparecer, mas haverá um período de incertezas, com investidores estrangeiros e domésticos aguardando sinais da direção política e econômica no segundo mandato.

“Se o governo não tomar medidas para reverter esse quadro, acho que vai continuar o problema da falta de investimento”, disse.

Outro grande problema da economia, citou, é a falta de um maior comércio internacional com países estratégicos.

Ele afirmou que o Brasil está atrás de outros países que vêm crescendo por meio de relações comerciais com foco em valor agregado.

“Hoje o Brasil está, de um lado, sem tratados de livre comércio; de outro, é interessante notar que as tarifas continuam altas”, destacou.

Ele apontou que outro problema sério é a educação, setor que vai requerer investimentos, sobretudo, em qualidade.

Fishlow defendeu que, para realizar as mudanças necessárias, Dilma terá que fazer a reforma política, reduzindo o número de partidos, e cortar ministérios.

“Se não houver avanços dentro de um ano e meio, vai haver redução do apoio (no Congresso), complicando a situação”, disse.

Inflação

Durante a teleconferência, Fishlow avaliou que a alta da inflação atualmente é consequência de ajustes na economia que não foram feitos no passado.

Diante disso, ele defendeu que o Banco Central terá que aumentar “um pouco” a Selic para mostrar que a política monetária do país ainda é independente.

“Se não fizer isso, vai haver ainda mais falta de credibilidade, o que vai piorar a situação econômica”, disse.