Preço da soja no Brasil registra maior média anual em 10 anos

A força no mercado nacional, de acordo com o Cepea, deve-se principalmente às negociações antecipadas da safra 2015/16

São Paulo – O preço nominal da soja brasileira registrou sua maior média anual em 10 anos em 2016, afirmou nesta quinta-feira o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em ano marcado pela quebra de safra, fortes exportações e dólar mais alto.

O Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&FBovespa, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no porto de Paranaguá (PR), alcançou média de 81,52 reais/saca de 60 kg em 2016, o valormais alto em termos nominais registrado na série histórica do Cepea, iniciada em 2006.

Ao deflacionar (IGP-DI de novembro), a média é a mais alta dos últimos três anos, acrescentou o Cepea.

A força no mercado nacional, de acordo com o Cepea, deve-se principalmente às negociações antecipadas da safra 2015/16 por produtores, além da forte demanda pelo grão, tanto doméstica quanto internacional, influenciada pela força do dólar ante o real –o Brasil é o maior exportador global de soja.

“O impulso veio principalmente da postura retraída de produtores, que negociaram grande parte da safra 2015/16 antecipadamente, ainda em meados de 2015”, disse o Cepea.

Segundo o Cepea, a alta nos preços da soja no Brasil já vinha sendo observada desde que parte das lavouras foram prejudicadas por más condições climáticas em meados de 2015.

Já em 2016, a demanda por exportações, notada principalmente no primeiro semestre, contribuiu para alta. Favorecido pela quebra na produção da Argentina, o Brasil totalizou 38,56 milhões de toneladas de soja exportadas de janeiro a junho, volume recorde para o período, informou o Cepea.

No segundo semestre, a demanda externa pela soja e seus derivados diminuiu, principalmente em razão da safra recorde nos Estados Unidos, o que pressionou as cotações domésticas da soja.

No entanto, os produtores permaneceram retraídos, o que tornou lenta a comercialização da safra 2016/17.