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Congresso | 03/02/2012 17:07

Velhas insatisfações pressionam relação de aliados com Dilma

A retomada dos trabalhos no Congresso trouxe à tona velhos problemas de relacionamento entre o governo e sua ampla e desigual base aliada

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José Cruz/ABr

Dilma na posse de Mercadante

A negociação foi feita por intensa troca de telefonemas, já que o líder está em Natal, os ministros em Brasília e Temer em São Paulo

Brasília - A retomada dos trabalhos no Congresso nesta semana trouxe à tona novamente os velhos problemas de relacionamento entre o governo e sua ampla base aliada, com a diferença que agora as reclamações e as ameaças estão mais explícitas e elas têm como combustível adicional as negociações políticas para as eleições municipais de outubro.

Essas negociações, principalmente entre os dois maiores partidos da coalizão governista, PT e PMDB, tendem a se radicalizar nos próximos meses e podem contaminar as posições desses e de outros partidos aliados no Congresso, trazendo mais riscos ao governo nas votações.

Ao longo de 2011, apesar de ter conseguido aprovar a maioria das matérias de seu interesse, o governo enfrentou inúmeras reclamações dos aliados que pontuam dificuldades de acesso aos ministros e à presidente Dilma Rousseff, a insatisfação com a liberação de emendas e da pouca ou nenhuma influência nas nomeações para cargos de segundo escalão.

Sabendo que não teria como atender plenamente as demandas dos aliados, a presidente traçou inclusive uma estratégia para não ficar tão dependente do Congresso e evitará até o final do mandato enviar matérias que modifiquem a Constituição, o que exigiria pelo menos três quintos dos votos dos deputados e senadores.

Esse caldeirão de insatisfações voltou ao fogo na semana passada quando mudanças no segundo escalão do governo voltaram a incomodar o PMDB, em especial o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), que declarou duvidar que um diretor do Departamento Nacional de Obras contra Secas (Dnocs) seria demitido por Dilma.

A presidente não hesitou e demitiu o indicado de Alves no dia seguinte.

Mesmo irritado, o líder peemedebista diminuiu o tom e depois de conversar com o vice-presidente Michel Temer, presidente licenciado do PMDB. Alves também conversou com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e a tensão baixou mais um pouco.

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