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"Ben Ali foi um trauma, um asco político" resumiu um analista tunisiano
Túnis, Tunísia - No dia 14 de janeiro de 2011, o intocável Zine El Abidine Ben Ali, primeiro déspota árabe derrubado por seu povo, fugia da Tunísia após 23 anos de poder absoluto, mas um ano depois ninguém se lembra dele na Tunísia, um país que enfrenta uma urgência social e desafios democráticos maiores.
Embora diversos tunisianos gostassem de ver Ben Ali e os membros de seu clã julgados no país, atualmente ninguém fala do ex-líder, refugiado na Arábia Saudita com sua esposa Leila.
"Ben Ali foi um trauma, um asco político. Já não representa um perigo. Mas em relação ao sistema, a página ainda não foi virada", analisou Yadh Ben Achour.
Para este jurista e ex-presidente da instância que dirigiu as reformas entre a Revolução e as eleições de outubro passado, conquistadas pelos islamitas, "os vícios" que caracterizavam e que provocaram a queda do antigo regime persistem: corrupção, desemprego, falta de experiência democrática.
O desemprego, dissimulado sob o "milagre econômico" de Ben Ali, tornou-se evidente e afeta regiões inteiras. A média nacional é de 19%, mas o índice pode chegar a 50% nas zonas no interior do país, abandonadas durante décadas.
Uma série de tentativas recentes de imolação na Tunísia, gesto tão simbólico em um país onde a revolução começou por um suicídio por fogo, "mostra quão profundo é o desamparo das pessoas", destacou o economista Mahmoud Ben Romdhane.
A tumultuada acolhida que tiveram há alguns dias o presidente Moncef Marzouki e o primeiro-ministro islamita Hamadi Jebali em Kasserine, cidade símbolo da revolução, ilustra a raiva das regiões do interior e a ausência de estado de graça para as novas autoridades.
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