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Congresso dos Estados Unidos: radicalismo dos partidos suplantou os interesses da nação
São Paulo – A batalha política entre Democratas e Republicanos em torno do teto da dívida americana traz ensinamentos sobre o que se deve fazer (e principalmente sobre o que não se deve fazer) num jogo político.
O radicalismo do Tea Party – a extrema direita do Partido Republicano – praticamente inviabilizou as negociações desde o começo. No final das contas, o acordo não foi o ideal para nenhum lado e ainda contou com um recuo do presidente Barack Obama.
“Houve uma radicalização enorme na política americana, que cresce desde 2000. O endividamento dos Estados Unidos é seríssimo e não pode ser colocado no jogo eleitoral. Foi uma irresponsabilidade total”, diz Carlos Melo, cientista político e professor do Insper.
Opinião semelhante tem o cientista político e vice-presidentre da Arko Advice, Cristiano Noronha. “Houve muito oportunismo dos Republicanos e dos Democratas. Quando está em jogo uma disputa por poder (eleições presidenciais de 2012), o que se vê é muito discurso vazio, inclusive nos Estados Unidos, que são considerados um exemplo de democracia.”
No Brasil, o PT e o PSDB (os dois partidos que polarizaram a disputa nas últimas eleições) também vivem os seus momentos de radicalismo, mas nada parecido com o Tea Party, na avaliação dos especialistas ouvidos por EXAME.com.
Cristiano Noronha lembra que, em 1994, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva atacou o recém-criado Plano Real, dizendo que era mais um pacote eleitoreiro que fracassaria após as eleições. “A oposição torcia para o plano dar errado”, diz Noronha.
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