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Ao anunciar sua saída do Partido Verde (PV), na quinta-feira, a ex-senadora Marina Silva, que amealhou vinte milhões de votos nas eleições presidenciais de 2010, disse não saber se vai ser candidata à Presidência em 2014: “Não vou ficar sentada na cadeira cativa de candidata, não vou engessar a minha vida nisso”. A dedicação agora, segundo ela, será para o movimento suprapartidário que seu grupo vai criar em prol de ideais ambientalistas sem o respaldo de uma legenda.
Se dependesse de seus principais aliados, a campanha já estaria nas ruas. Já especialistas ouvidos pelo site de VEJA são menos otimistas quanto ao futuro da ex-candidata à Presidência. Para eles, a última ação de Marina, além de ter deixado para trás uma legenda em crise, pode ter sido um tiro no pé que a deixou com poucas chances de chegar com fôlego às próximas eleições presidenciais.
O discurso da ex-verde não convence. Uma coisa não se discute: apesar de preferir não lançar sua pré-candidatura agora, Marina Silva é naturalmente aspirante a candidata em 2014. A principal dúvida é se o seu capital político se sustentará por mais dois anos apenas com as palestras que ela costuma dar e raras aparições públicas no combate ao texto do Código Florestal que tramita no Congresso. "A carreira política dela está comprometida", decreta o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) João Paulo Peixoto.
Aliados avaliam que a manobra de Marina é suficiente para garantir visibilidade em 2014 – com chances de vitória. "É só andar com ela na rua, como eu faço, que se percebe como é querida. Acho que agora seus votos podem até dobrar", acredita o deputado federal Alfredo Sirkis (RJ), que permanece no partido. "Ela tem sido objeto de mais reportagens depois que saiu do Ministério do Meio Ambiente do que em toda a sua vida política e houve um ganho excepcional de credibilidade", diz o ex-candidato ao Senado Ricardo Young, que se desfiliou do PV.
Tática - A estratégia para continuar sob os holofotes será o apoio explícito a candidatos de diversos partidos nas eleições municipais. "Vamos conseguir ampliar a visibilidade da Marina, mas com a segurança de estarmos do lado de quem apoia nossos ideais", argumenta Maurício Brusadin, também ex-PV. "Não há como prever como será 2014, mas a expectativa é de que o movimento e a Marina cheguem bem fortes lá", acrescenta o ex-presidente do Ibama Basileu Margarido Neto. "Ela é uma liderança óbvia e natural", ressalta o empresário Guilherme Leal.
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