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Decisão | 09/02/2012 14:15

Justiça espanhola acaba com carreira do juiz Baltasar Garzón

Juiz que mandou prender Pinochet e que investigava os crimes da ditadura franquista terá que ficar 11 anos sem exercer a profissão

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Dominique Faget/AFP

O juiz espanhol Baltasar Garzón deixa o tribunal

Baltasar Garzón deixa o tribunal: ele deve recorrer a justiça internacional sobre a sentença

Madri - A justiça espanhola condenou nesta quinta-feira a 11 anos de desqualificação profissional o juiz Baltasar Garzón, pondo fim à carreira de um magistrado que ousou investigar questões polêmicas, como os crimes da ditadura franquista.

O Supremo Tribunal espanhol o condenou a "11 anos de desqualificação especial para o cargo de juiz ou magistrado com perda definitiva do cargo que ostenta" por ter violado o direito à defesa ao ordenar a gravação de conversas na prisão entre advogados de defesa e seus clientes.

Os detidos eram supostos líderes de uma rede de corrupção, conhecida na Espanha como "caso Gürtel", que, em 2009, envolveu lideranças regionais do Partido Popular, que hoje governa a Espanha.

Garzón ordenou as escutas por suspeitar que os advogados participavam de operações de lavagem de dinheiro e assegurou durante seu julgamento, realizado em meados de janeiro, que sempre agiu "preservando o direito à defesa".

Esta condenação significa de fato o fim da carreira do juiz espanhol, de 56 anos, mundialmente conhecido pela prisão do ex-ditador chileno Augusto Pinochet em 1998 em Londres e suspenso de suas funções na Espanha desde maio de 2010.

Sem chances de recorrer perante a justiça espanhola, o advogado de Garzón, Francisco Baena Bocanegra, anunciou sua intenção de apelar "às instâncias que procederem", provavelmente à justiça internacional.

"Seguiremos lutando em prol da inocência que hoje nos foi negada", afirmou em declarações à televisão pública espanhola.

O Supremo Tribunal deve ditar a sentença na quarta-feira de outro julgamento contra Garzón, acusado por dois grupos de ultradireita espanhóis de tentar investigar o destino de mais de 114 mil desaparecidos durante o franquismo, apesar de uma lei de anistia de 1977.

A coincidência destes casos, e a existência de um terceiro, para o qual ainda não foi anunciado um julgamento, levaram os partidários do juiz a denunciar uma manobra política contra um magistrado que atraiu com suas ousadas investigações vários inimigos.

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