Aguarde...
RelatórioCuba repudia 'mentiras e tergiversações' dos EUA
LegislaçãoCrime tributário só ocorrerá em fraudes, decide Senado
CubaFilha de Raúl Castro discursa nos EUA sobre sexualidade, mas foge da imprensa
Ele também diz que não se lembra se ajudou a financiar greves quando estava na oposição
Salvador - Depois de mais uma exaustiva jornada de negociações, permanece o impasse entre o governo da Bahia e a Polícia Militar do estado, em greve desde o dia 31 de janeiro. O governador Jaques Wagner esperava o fim da paralisação nesta terça-feira, quando levou para a mesa o que diz ser sua maior oferta: o pagamento das gratificações que os policiais pedem (chamadas de GAP 4 e GAP 5) até 2015 - iniciando o pagamento da GAP 4 em novembro e da GAP 5 em 2013. Segundo o governador, isso representaria um ganho real de 30% no salário dos PMs, hoje de aproximadamente 2 300 reais.
Os representantes da categoria não concordaram com a proposta apresentada e sinalizaram que seguirão com o movimento. Os grevistas querem o pagamento das gratificações a partir do mês que vem. O governador, no entanto, afirma que não tem dinheiro no orçamento para pagar as gratificações agora. Também não foram atendidos os pedidos dos grevistas de anistia administrativa para os policiais que estão parados e a revogação dos pedidos de prisão de 12 líderes do movimento.
A posição linha-dura adotada pelo governador é bem diferente daquela que teve quando era deputado federal em outras duas greves da PM da Bahia, em 1991 e 2001, nos governos de Antônio Carlos Magalhães e César Borges, respectivamente.
Apesar de dizer que não perdeu suas convicções como sindicalista, o político que antes defendia os militares e criticava os governadores por punirem os policiais grevistas, agora nega a anistia administrativa ao movimento e até levanta suspeitas de que PMs estariam praticando crimes para espalhar um clima de terror pela Bahia. A mudança radical de postura do petista rendeu uma acusação do ex-militar Marco Prisco, um dos líderes da paralisação, de que Wagner e outros parlamentares do PT participaram do financiamento da greve de 2001, por meio de um sindicato, garantindo assim a estrutura necessária para manter o movimento. O governador diz que não se lembra se contribuiu ou não com algum fundo criado para bancar o movimento.
Em 1991 Wagner lamentou que "a impermeabilidade do governador" fizesse com que o Comando da Polícia Militar punisse cerca de 110 militares. Agora, da cadeira de governador, ele afirma que não haverá anistia para o movimento que "quer espalhar o clima de terror" pela Bahia.
- Em 2001 o senhor apoiou a greve da PM e agora critica a liderança do movimento. O senhor mudou sua posição?
Jaques Wagner: Eu não perdi nenhuma das minhas convicções como sindicalista. Mas é evidente que no governo você ganha outras responsabilidades com as quais tem que conviver. Nunca concordei nem pratiquei atos de vandalismo como os que foram praticados. Eu posso apoiar a reivindicação salarial, mas quebra de hierarquia e polícia armada afrontando o povo, isso nunca teve o meu apoio. Naquela época eu fiz uma mediação como deputado federal e fui contra a tomada dos quartéis.
- E a acusação de que o senhor financiou o movimento grevista da PM naquele ano?
Wagner: Eu não sei se alguém fez algum fundo ao qual eu possa ter contribuído. Sinceramente não está no meu registro.
Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados
Para deixar um comentário você precisa se identificar. Escolha um dos tipos de identificação abaixo:
com Abril ID
Termos de uso | Comentários sujeitos a moderação