Paris e Berlim têm divergências sobre taxa financeira

Alemanha e França são a favor da medida, mais ainda discordam da melhor forma de aplicá-la

Berlim – A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, mostraram nesta segunda-feira em Berlim seu acordo sobre o princípio de impor uma taxa às operações financeiras, mas diferem na forma de aplicá-la.

Após uma reunião realizada em Berlim, Merkel assegurou que prefere que a introdução da taxa às transações financeiras seja feita em nível da União Europeia, e não da Eurozona, enquanto a França está disposta a implementá-la sozinha.

Na coletiva de imprensa, Sarkozy disse que, “se não dermos o exemplo, não será feito. A ideia da França é aplicar o projeto de diretriz” da Comissão Europeia.

Já Merkel considerou que se trata de “uma boa iniciativa para passar das palavras aos fatos”, mas repetiu que prefere se coordenar em nível europeu.

“Do lado alemão, o objetivo é obter uma declaração de intenções dos ministros das Finanças (da UE) para o início de março” sobre esta taxa que pode ser introduzida apenas na Eurozona, enquanto Sarkozy está disposto a aplicá-la apenas na França.

A chanceler acrescentou que nem todos em seu governo apoiam a ideia de impor esta taxa.

Além disso, os presidentes mostraram seu acordo em outras medidas destinadas a sair da crise na Eurozona.

Os dois países desejam que o projeto de revisão dos tratados europeus que prevê reforçar a disciplina orçamentária se firme “para o dia 1 de março”, declarou Sarkozy.

O princípio desta reforma do tratado foi adotado no início de dezembro por todos os países da UE, com exceção do Reino Unido.

Os dois líderes também se mostraram favoráveis a acelerar a implementação do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MES), que funcionará como um fundo de ajuda na Eurozona.

À espera da instalação deste mecanismo, Merkel e Sarkozy disseram que pedirão conselho ao Banco Central Europeu (BCE) para melhorar a eficácia do fundo temporário de resgate da Eurozona, o FEEF.

Merkel e Sarkozy reiteraram sua vontade de manter a Grécia na Eurozona, com a condição de que o país siga aplicando reformas fiscais. Merkel considerou “necessária” a aplicação de um programa de reestruturação da dívida grega, mas insistiu que este procedimento será uma “exceção”.

Por último, os dois presidentes insistiram na necessidade de que as medidas de rigor fiscal sejam acompanhadas por outras em favor do crescimento econômico e do emprego, que “são a prioridade”, segundo Sarkozy, e “um segundo pilar” para Angela Merkel.