Os números do “colapso sem precedentes” da economia da Venezuela

Ricardo Hausmann, ministro do Planejamento do país nos anos 90 e hoje em Harvard, comparou o caso do país com outras grandes crises econômicas

São Paulo – Qual foi o maior colapso econômico da história?

A falta de dados confiáveis torna impossível definir com precisão, mas a Venezuela está na disputa.

Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 35% entre 2013 e 2017, com o PIB per capita caindo 40% no mesmo período.

É mais do que a Grande Depressão americana, a queda de 27% no PIB dos Estados Unidos entre 1929 e 1933.

O colapso venezuelano também supera ligeiramente períodos problemáticos em países como Rússia (1990-1994), Cuba (1989-1993) e Albânia (1989-1993).

Mas ainda assim fica atrás do que sofreram países soviéticos na transição para o capitalismo, entre eles Geórgia, Tajiquistão, Azerbaijão, Armênia e Ucrânia.

Também não chega ao patamar da queda do PIB durante a guerra em países como Irã em 1981, Libéria em 1993, Ruanda em 1994, Líbia em 2011 e Sudão do Sul mais recentemente.

As comparações são de de um artigo recente publicado no Project Syndicate por Ricardo Hausmann, que foi ministro do Planejamento do país nos anos 90 e hoje dá aula em Harvard. O artigo foi publicado também no aplicativo EXAME, onde pode ser visto pelos assinantes.

Ele também destaca uma pesquisa de três das mais importantes universidades venezuelanas apontando que a pobreza no país subiu de 48% em 2014 para 82% em 2016.

A mesma pesquisa aponta que 3 em cada 4 venezuelanos perderam peso de forma involuntária no último ano, com média de 8,6 quilos a menos.

Processo

Economistas dizem que o colapso econômico da Venezuela foi resultado das políticas de Hugo Chávez e do atual presidente Nicolás Maduro: uma combinação tóxica entre controle cambial, estímulo a demanda e controle do setor produtivo que disparou a inflação e causou escassez de produtos.

A situação piorou a partir de meados de 2014 com a queda abruta do preço do petróleo, a principal exportação da Venezuela. Isso arrasou com as contas públicas e secou ainda mais os recursos.

“Os países geralmente absorvem choques negativos de preço como estes separando algum dinheiro nos tempos bons e depois pegando emprestado ou usando essa poupança nos tempos ruins, para que as importações não precisem cair tanto quanto as exportações. Mas a Venezuela não podia fazer isso, porque ela havia usado o boom do petróleo para multiplicar por seis a dívida estrangeira”, diz Hausmann.

A escolha do governo foi não dar o calote, mas a contrapartida foi uma queda de importação de bens e serviços per capita de 75% entre 2012 e 2016 com ajuste pela inflação.

Segundo Hausmann, isso é comparável apenas aos casos da Mongólia entre 1988 e 1992 e Nigéria entre 1982 e 1986, superando todos os outros colapsos de importação de 4 anos desde 1960.

Um bom primeiro passo para amenizar o drama econômico seria baixar o tom da crise política, mas o governo venezuelano segue na ofensiva desde que perdeu o controle do Legislativo em 2015.

A Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela (ANC), um órgão integrado somente por simpatizantes do governo de Maduro, tomou posse nesta sexta-feira (4) para reformar a Constituição e reordenar o Estado.

A votação que a elegeu no domingo passado (30) aconteceu apesar da rejeição da oposição e de boa parte da comunidade internacional e foi marcado por violência, baixa participação e fraude.

Comentários

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  1. Notícias são mistificadas, para dar a impressão de “fome generalizada”. Todos já perceberam a grande motivação norte-americana, para retomar o controle do Banco Central da Venezuela – cuja diretoria não foi indicada pelos Rothschild !!! Além disso, não podem perder o controle sobre as reservas de óleo e gás do país, pois o fato da Venezuela possuir 300 bilhões de barris em reservas dá-lhe poder para negociar o mesmo em qualquer moeda que lhe interesse, ou permutá-lo por produtos, obras ou serviços que lhes sejam necessários. Esta liberdade diminui a importância do dólar, como moeda obrigatória para pagamento das transações comerciais internacionais. Somado aos outros problemas que afligem o “papel pintado” dos sionistas “banksters” donos do Federal Reserve e do Banco de Compensações Internacionais, é necessário colocar a ovelha de novo na manada, como feito com Iraque, Libia e Brasil…