OMC reduz perspectiva de crescimento do comércio para 2,8%

O esfriamento das importações, especialmente em países como Brasil e China, assim como a queda dos preços das matérias-primas são as duas razões centrais

Genebra – A Organização Mundial do Comércio (OMC) anunciou nesta quarta-feira que rebaixou sua previsão de crescimento do comércio mundial, para 2,8% em 2015, contra os 3,3% que tinha projetado em abril.

O arrefecimento da demanda de importações, especialmente em países emergentes como Brasil e China, assim como a queda dos preços das matérias-primas são as duas razões centrais para que os economistas da entidade tenham revisado os números para baixo.

“Esta revisão reflete uma série de fatores que pesaram na economia global em 2015, que incluem a queda das importações no Brasil, na China e em outros países emergentes, a queda dos preços do petróleo e outras matérias-primas, e oscilações significativas das taxas de câmbio”.

As importações desde a América do Sul também foram revisadas para baixo, mas os economistas da OMC são otimistas de que as exportações da região se manterão positivas tanto em 2015 como em 2016.

Algo que não ocorrerá na Ásia, porque tanto as previsões para as importações como para as exportações foram reduzidas pelo menor crescimento da China, que puxa toda a região.

A OMS advertiu que mais problemas se percebem no horizonte, e citou a possibilidade de uma desaceleração da atividade econômica nos países em desenvolvimento, assim como a instabilidade financeira provocada pelo eventual aumento das taxas de juros nos Estados Unidos.

“Se as projeções se concretizarem, 2015 marcará o quarto ano consecutivo em que o comércio anual cresceu menos de 3%, e o terceiro ano em que o comércio cresceu quase igual o Produto Interno Bruto (PIB) mundial, em vez do dobro, como foi nos anos 90 e no princípio do século”, continuou a entidade.

A OMC ajustou igualmente suas projeções para 2016, ano em que considera que o crescimento do comércio chegará no máximo a 3,9%, em lugar dos 4% calculados anteriormente.

Este número continuará abaixo da média dos últimos 20 anos, quando o crescimento ficou ao redor de 5%, advertiu a instituição.