A greve nos bancos como lembrete

Pelo menos 140 sindicatos de bancários deflagraram uma greve que tem início hoje, pedindo um reajuste salarial de 5% e a reposição de 9,57% da inflação. A última greve da categoria, que tem 512.000 funcionários no país, paralisou os serviços por 21 dias em 2014 e provocou um grande tumulto país afora. As lotéricas, os caixas eletrônicos e os aplicativos devem atenuar os problemas para a população, mas certamente não é um ato com o qual o novo governo sonhava.

A parada também serve como um lembrete para Michel Temer, usar o discurso da crise e do caixa vazio para aprovar mudanças trabalhistas não será fácil. Temer já anunciou reformas, como a trabalhista e a previdenciária, que provocaram reação imediata de sindicalistas. Uma ala da oposição já fala inclusive em greve geral. O governo deve mudar a retórica nos próximos dias, mas não deve – e não pode – abandonar a pauta.

Em vez de uma ampla reforma trabalhista, é provável que o governo   dê prioridade à criação de novos contratos de trabalho. “Não deve haver exclusão de direitos já firmados. Mudanças na CLT (Conjunto de Leis Trabalhistas) são extremamente impopulares e requerem uma mudança na constituição, o que é sempre mais difícil de aprovar”, diz  o professor de direito trabalhista da FGV, Paulo Sérgio João. O governo deve dar continuidade também a pautas como a terceirização, que já estão no Congresso.

A reforma da Previdência, que Temer havia prometido para antes das eleições municipais, certamente no dia 20 de setembro, deve ficar para novembro após pressão de aliados do governo. Ontem, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que, para um projeto que terá efeito por décadas, algumas semanas de atraso não devem fazer diferença. Pelos próximos dias, as agências bancárias fechadas servirão de lembrete de que as batalhas trabalhistas serão duras. Fácil ninguém falou que ia ser.