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AE
As vendas das empresas de capital aberto no terceiro trimestre deste ano tiveram queda de 1,6%, na média, em relação a igual período de 2008, segundo levantamento divulgado ontem pela empresa de informações financeiras Economática. Foi a segunda retração trimestral consecutiva do faturamento dessas companhias. No trimestre anterior, a queda fora de 1%. Para Fernando Exel, presidente da Economática, os dados destoam das previsões do governo de um fim de ano de crescimento chinês para a economia brasileira.
O estudo considerou o resultado de 194 empresas não financeiras com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) e corrigiu as vendas pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os setores que mais perderam são os mais dependentes da exportação, como o de autopeças e veículos, cujas vendas desabaram 31,2%, não só porque o dólar caiu em relação ao real, mas principalmente porque a demanda mundial esfriou.
Na média das siderúrgicas e metalúrgicas, também ligadas às exportações, a queda foi de 27,9%. Entre as empresas de química, as vendas recuaram 19,9% e nas de papel e celulose, caíram 13,7%. Em compensação, praticamente todos os segmentos voltados fundamentalmente para o atendimento do mercado interno viram as receitas crescerem. O setor de construção, por exemplo, faturou 19,3% mais do que no terceiro trimestre do ano passado. As receitas das empresas do comércio cresceram 6,6% no período.
"Não é a mesma coisa, mas a variação da venda das empresas de capital aberto deve estar razoavelmente parecida com a do PIB (Produto Interno Bruto)", diz Exel. Ele observa, no entanto, que essas empresas que fazem parte de clube de elite que tem créditos especiais e historicamente cresce mais que o PIB. No estudo, a venda dessas empresas cresceu na média por quatro trimestres a um ritmo de 10% ou mais. "Eu ouvi políticos falando em crescimento espetacular do PIB do terceiro trimestre. Não sei qual é a base que estão usando, mas a venda das empresas de capital aberto na média apontam para uma coisa negativa próxima de 2%", afirma o presidente da Economática. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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