São Paulo - A venda de veículos novos no Brasil em outubro recuou sobre um ano antes e manteve a desaceleração iniciada neste semestre, indicando que o setor terá dificuldade para atingir as metas para 2013.

Os licenciamentos de carros, comerciais leves, ônibus e caminhões em outubro somaram 330.228 unidades, queda de 3,3 por cento ante igual mês de 2012, mostraram dados preliminares de emplacamentos obtidos pela Reuters nesta sexta-feira com uma fonte do setor. Na comparação com setembro, houve alta de 6,6 por cento.

Por segmento, as vendas de carros somaram 234.047 unidades, enquanto as de comerciais leves foram de 79.841, segundo informou a fonte, que pediu para não ser identificada. Os licenciamentos de caminhões ficaram em 13.302 veículos e os de ônibus, em 3.038 unidades.

Outubro teve 23 dias úteis de emplacamentos, ante 21 dias em setembro. Assim, as vendas diárias nessa base em outubro corresponderam a 14.358 veículos, enquanto as de setembro foram de 14.755 unidades. O pico deste ano ocorreu em junho, com vendas diárias de 15.930 unidades.

Meta Difícil

De janeiro a outubro, a indústria registrou vendas de 3,11 milhões de veículos novos no país.

A Anfavea, associação das montadoras, estima que os licenciamentos em 2013 fiquem entre 3,84 milhões e 3,88 milhões de unidades, com crescimento de 1 a 2 por cento sobre 2012.

As montadoras precisarão atingir vendas mensais de cerca de 365 mil veículos em novembro e dezembro para que se confirme o piso da previsão atual da entidade, que foi reduzida em setembro ante uma projeção anterior, de alta de 3,5 a 4,5 por cento no ano.

Em 2012, as vendas de novembro somaram 311,8 mil veículos, enquanto as de dezembro atingiram 359,4 mil.

"Os consumidores estão deixando de comprar e o que estamos notando é que está havendo um aumento substancial das vendas diretas", disse o gerente de desenvolvimento de negócios da consultoria Jato Dynamics, Milad Kalume Neto.

As vendas diretas correspondem às vendas das montadoras a frotistas como locadoras de veículos. "O último canal de venda para a montadora é a venda direta, porque as empresas têm que dar um desconto muito forte, pressionando a margem", disse.

IPI O setor segue aproveitando o desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), concedido pelo governo federal no fim de maio de 2012 e que foi prorrogado no início deste ano até o fim de dezembro.

A proximidade da expiração do benefício do IPI pode causar movimento de antecipação de compras pelos consumidores, mas especialistas do setor ainda trabalham com a premissa de que o governo acabará estendendo a redução do tributo para 2014.

"O governo deu um tiro no pé com a redução no IPI, deu certo no começo para estimular as vendas, mas agora ficou preso a ele", disse Kalume.

Além de lidar com um mercado menos vigoroso em vendas e com a questão do IPI, as montadoras têm produzido acima da demanda, acumulando estoques.

Segundo dados da Anfavea, o estoque de veículos novos no Brasil atingiu pico para o ano em setembro, a 420,7 mil unidades, ou 40 dias de vendas. No início deste mês, o presidente da associação, Luiz Moan, afirmou que os bancos estão mais seletivos na concessão de crédito e que a Anfavea trabalha com o governo para a retomada da modalidade de leasing como forma de impulsionar as vendas de veículos.

Para Tereza Fernandez, diretora da consultoria MB Associados, uma possível pequena queda nas vendas deste ano sobre o recorde de 2012 não chega a ser problema para o setor.

"O que preocupa é que quando as montadoras novas fizeram as contas de vir para o Brasil esperavam um mercado com vendas de 6 milhões de veículos em 2016, e isso não vai acontecer. Vamos vender menos", disse ela, citando um cenário macroeconômico interno que sinaliza dificuldades nos próximos anos.

"Há cansaço no mercado. Vendeu-se muitos carros nos últimos anos (...) A média de crescimento anual dos últimos 10 anos foi de cerca de 10 por cento até 2012. Isso é um crescimento fenomenal. Agora estamos trabalhando com crescimento médio de 3 por cento nos próximos 10 anos", acrescentou.

Ranking

No segmento de automóveis e comerciais leves, a General Motors superou a Volkswagen em outubro, encerrando o mês próxima de líder Fiat, segundo informações de outras fontes com acesso a dados dos licenciamentos.

A montadora norte-americana registrou vendas de 60,87 mil carros e comerciais leves em outubro, numa fatia de 19,5 por cento do total do segmento, segundo a fonte. Já a Volkswagen teve 56,4 mil licenciamentos, fatia de 18 por cento.

A Fiat fechou outubro com emplacamentos de 61,6 mil carros e comerciais leves, correspondente à participação no segmento de 19,7 por cento. Já a Ford teve vendas de 29,4 mil unidades, com 9,4 por cento do mercado, seguida por Renault, com 21,6 mil veículos, com cerca de 7 por cento.

Em setembro, segundo dados da associação de concessionários Fenabrave, o ranking foi formado por Fiat (21,5 por cento de participação), Volkswagen (19 por cento), GM (17,2 por cento), Ford (9,7 por cento) e Renault (7 por cento).

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