São Paulo – A Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), o maior acordo comercial da história, vai render 465 bilhões de dólares para os países que formam o bloco, segundo um estudo publicado em janeiro.

Os cálculos do Peterson Institute for International Economics são 35% maiores do que as projeções anteriores feitas em 2012, de ganho de 343 bilhões de dólares.

Os autores ressaltam que, quando foram feitas as primeiras estimativas, os termos do acordo não eram conhecidos, o que pode ter influenciado na diferença dos números.

A parceria foi assinada em outubro do ano passado por 12 países que somam 800 milhões de pessoas e respondem por 40% do PIB global. São eles Estados Unidos, Canadá, Chile, México, Peru, Brunei, Japão, Malásia, Cingapura, Vietnã, Austrália e Nova Zelândia.

Quem mais vai se beneficiar serão os Estados Unidos. Em 2012, a expectativa era de um ganho de 97 bilhões de dólares; em 2015, o número foi atualizado para 131 bilhões, ou 35% a mais.

A perspectiva também melhorou consideravelmente para as economias que não fazem parte do acordo.

Em 2012, estimava-se que a TPP faria os outros países perderem 92 bilhões de dólares até 2030; no novo estudo, a perspectiva é de ganhos de 27 bilhões de dólares no mesmo período.

Entre os principais pontos do acordo está a supressão imediata de três quartos das tarifas de comércio internacional, no momento de sua implantação e o estabelecimento de regras comuns ambientais, trabalhistas, de investimento e propriedade intelectual.

País Estimativa de ganhos em 2012 (em US$ bi) Estimativa de ganhos atual (em US$ bi)
EUA 97 131
Canadá 12 37
Chile 4 4
México 11 22
Peru 5 11
Japão 97 135
Brunei 0 2
Malásia 38 52
Cingapura 9 19
Vietnã 52 41
Austrália 12 15
Nova Zelândia 5 6
Não-membros    
China -56 -18
União Europeia -4 48
Total global (exceto TPP) -92 27

Pauta eleitoral

O maior acordo comercial das últimas décadas tem sido um dos tópicos de debate nas eleições norte-americanas.

Da perspectiva democrata, o pré-candidato Bernie Sanders já criticou duramente o projeto, afirmando que o TPP é "a continuação das políticas comerciais desastrosas que custaram milhões de empregos bem-pagos ao país", de acordo com o New York Times.

Hillary Clinton era secretária de Estado do governo quando o acordo estava sendo negociado, e apoiou o pacto na época. Atualmente, diz que rejeita os termos.

“As expectativas são muito altas, e, até onde eu tenho visto, não parece que o acordo as tenha alcançado”, disse a pré-candidata.

O candidato favorito do Partido Republicano, Donald Trump, afirmou em uma entrevista que ele e Sanders tinham um ponto em comum: a oposição ao TPP.

"Nós dois concordamos que estamos sendo explorados pela China, pelo Japão, pelo México, por todo mundo com quem fazemos negócio", disse o empresário em fevereiro.

Impacto no emprego

Tanto Sanders quanto Trump destacam, em suas críticas, que o acordo não vai ser benéfico para o nível de emprego dos norte-americanos.

O estudo do Peterson Institute mostra que o impacto será realmente limitado e que a nova dinâmica de comércio exterior vai obrigar a mão-de-obra a migrar para setores mais “sofisticados”.

Segundo o estudo, não haverá um aumento significativo no número de vagas, então será necessário que as empresas invistam em mobilidade de funções e cursos de aperfeiçoamento.

Com os benefícios econômicos promovidos pelo acordo, diz o instituto, será possível investir em programas de redistribuição de renda para os trabalhadores de setores não diretamente ligados a exportação e que serão prejudicadas pelas mudanças no mercado de trabalho.

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