São Paulo - Faltam 103 dias para o referendo que vai decidir se o Reino Unido fica ou não na União Europeia.

Entre os que pedem pela saída estão Boris Johnson, prefeito de Londres, Michael Gove, ministro da Justiça, e o ator Michael Caine. A rainha continua neutra.

O time do "fico" conta com o apoio da atriz Emma Thompson, do físico Stephen Hawking (junto com outros 150 cientistas) e da esmagadora maioria do establishment político e econômico - incluindo do primeiro-ministro David Cameron, que propôs a consulta.

O motivo é simples: todas as projeções apontam que a "Brexit" seria uma péssima notícia para o crescimento econômico tanto do país quanto do continente.

A "Brexit" é o maior cisne negro da economia global, segundo o Société Genérále. O porquê fica claro nesta imagem incluída em um relatório recente do Morgan Stanley que mostra o impacto de uma saída do Reino Unido em relação ao cenário-base de crescimento. 

Estão incluídas projeções para 2016 e 2017 do próprio país (UK, em verde), da zona do euro (Eurozone, em azul) e do CEE (Mercado Comum Europeu, em amarelo) em dois cenários: de "stress médio" e de "stress grande".

Morgan Stanley

Cenários de queda do PIB com saída do Reino Unido da União Europeia

Cenários de queda do PIB com saída do Reino Unido da União Europeia

O banco identifica 4 canais de contágio, com a incerteza no topo da lista: todas as regras teriam que ser renegociadas e diante disso, os atores do mercado devem esperar para ver o que vai acontecer antes de investir.

É razoável supor que a União Europeia dificultaria a vida dos britânicos, sob risco de estimular a debandada de mais países. O comércio provavelmente continuaria intenso, mas não tão livre quanto antes.

Outras perguntas ainda sem resposta: quem vai cobrir o buraco no Orçamento da UE deixado pela Brexit? Será que a Escócia, simpática à União Europeia, não pressionaria por um novo referendo para deixar o Reino Unido?

A imigração é outro nó. Um Reino Unido mais fechado significaria mais imigrantes (e mais hostilidade a eles) no resto de uma Europa que já não sabe como lidar com tantos refugiados (apesar da sua economia precisar deles, diga-se de passagem).

Tudo conspira para o quarto ponto de contágio, possivelmente o mais grave: a política.

"O precedente de um estado membro saindo da União abriria a caixa de Pandora: poderia ser usado como argumento político por partidos extremos e populistas, tanto da direita quanto da esquerda, para pressionar por uma saída da UE, incluindo em alguns países do euro", diz um relatório recente do banco Barclays.

As últimas pesquisas mostram que os britânicos estão divididos e forma praticamente igual sobre o tema, com uma leve vantagem para ficar no bloco.

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