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09/02/2010 15:00

"Turbulência européia não descarrila o Brasil", diz Schwartsman

Mesmo o pior cenário, o de um calote da Grécia, teria um impacto moderado no Brasil, segundo o ex-diretor do BC

José Roberto Caetano e editor de Brasil da revista EXAME, de
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Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Banco Santander

Schwartsman, ex-diretor do BC: dinamismo da economia brasileira vem do mercado interno

O economista-chefe do Banco Santander, Alexandre Schwartsman, ex-diretor da área internacional do Banco Central, confia que os efeitos da crise fiscal da Grécia e de outros países europeus não serão suficientes para mudar a trajetória de crescimento econômico do Brasil. Por ora, de acordo com ele, os reflexos do imbróglio europeu são pequenos, restringindo-se à oscilação da bolsa, à valorização do dólar e a um ligeiro aumento do risco-país, de 1,2% para 1,5%. O destino da Grécia, porém, ainda não está definido. A elite européia - Alemanha à frente - discute como irá rachar a conta da ajuda que os gregos necessitam. Para Schwarstman, o desafio da União Européia é difícil: precisa evitar que um de seus membros dê calote e ao mesmo tempo não pode fazer isso de uma maneira que emita uma mensagem errada - a de que a porta da salvação foi escancarada. Ou seja, que o caminho está aberto para outros países mais à frente pedirem dinheiro.

EXAME - Que efeito a crise da dívida da Grécia e de outros países europeus pode ter na economia brasileira, além do que já gerou de volatilidade na bolsa?
Alexandre Schwartsman -
Algum efeito esses acontecimentos sempre têm. Mas, ao que me parece até agora, não há paralelo com o que tivemos quando houve a quebra do banco americano Lehman Brothers em setembro de 2008. Naquele momento ocorreu uma queda sincronizada da economia mundial.

EXAME - O crédito para o país não pode ser afetado?
Schwartsman  -
Da mesma forma, acho que o mercado de crédito não será abatido como foi pela crise de setembro de 2008. Claro que, em alguma medida esse tipo de turbulência encarece o crédito. Quanto? Por ora, o custo subiu pouco. No caso do Brasil, o custo do CDS (Credit Default Swap, um derivativo usado como seguro contra calote e cujo preço serve como termômetro do risco de um país) com prazo de 5 anos rodava na casa de 1,2% no final do ano passado. Começou a subir por volta do dia 20 de janeiro e agora está em 1,5%. É uma piora de 0,3 ponto percentual. Para ter uma idéia, no pior momento da crise pós Lehman Brothers, o custo do CDS chegou a oscilar entre 4% e 4,5%. O preço atual é o maior desde junho do ano passado, mas é inferior ao risco da Espanha, que está em 1,6%. Enquanto isso, o de Portugal está em 2,2% e o da Grécia, perto de 4,5% (Continua...).

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