As últimas sete semanas têm sido ruins para os bancos europeus -- piores até que a situação enfrentada durante a crise financeira de 2008, segundo um indicador.

O Société Générale é o mais recente banco a informar, nesta quinta-feira, lucros abaixo das estimativas, caindo 12 por cento como resultado e derrubando todo o setor. 

O Credit Suisse Group se uniu ao Deutsche Bank e a seus pares italianos e gregos que estão sendo negociados em mínimas recorde ou perto delas. Agora, um indicador técnico do impulso do mercado está em um nível nunca atingido antes.

Os bancos europeus se dirigem aos preços mais baixos desde o início de agosto de 2012. 

Foi justamente nesta época que eles começaram a subir, depois que o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, prometeu salvar o euro. Agora, nem mesmo a especulação de que ele intensificará o apoio já no mês que vem está sendo suficiente para acalmar os investidores.

Embora os bancos centrais de todo o mundo venham mantendo as taxas de juros baixas para ajudar na recuperação, os sinais de uma desaceleração econômica e a queda do petróleo estão causando reflexos no mercado, desencadeando uma forte queda global que já eliminou US$ 16,4 trilhões das ações desde a alta do ano passado. 

Os bancos europeus têm sido particularmente impactados. Os temores de que o Deutsche Bank teria dificuldades para cumprir as obrigações de dívida se acumularam com as crescentes preocupações em relação aos empréstimos de liquidação duvidosa e às repercussões das regras mais rígidas.

“Todos chegaram à conclusão de que o modelo de negócio da maioria dos bancos não está, de fato, alinhado ao passado e de que eles não conseguem atingir os mesmos resultados do passado”, disse Benno Galliker, trader do Luzerner Kantonalbank. 

“Há outro problema: as taxas de juros são de quase zero e o que mais os bancos centrais podem fazer? Agora estamos em uma terra de ninguém e precisamos descobrir quão ruim a situação realmente é. Parece que a força todo-poderosa dos bancos centrais praticamente desapareceu”.

O Société Générale chegou a cair 15 por cento após reportar que os lucros do banco de investimento caíram 35 por cento. O Credit Suisse, que registrou prejuízo na semana passada, teve um declínio de 43 por cento neste ano. O Deutsche Bank, impactado nesta semana pelo temor quanto à sua solvência, está em baixa de 41 por cento.

Duramente atingidos

Embora todos os grupos setoriais tenham sofrido, os bancos foram os mais duramente atingidos -- aqueles que compõem o Stoxx Europe 600 Index caíram 28 por cento neste ano. Eles ampliaram seus prejuízos nesta quinta-feira, perdendo 5,7 por cento enquanto grupo. 

Os bancos britânicos não foram poupados: o Standard Chartered também caiu 5,2 por cento e caminha para o preço mais baixo desde 1998.

Com uma avaliação de cerca de 8 vezes os lucros estimados, os bancos europeus estão mais de 40 por cento mais baratos do que o mercado como um todo. O múltiplo deles caiu em relação a quase 13 no ano passado. Nos EUA, as empresas que compõem o KBW Bank Index são negociadas a 10.

“O ano de 2008 não estão tão longe assim e as pessoas ainda se lembram do que aconteceu naquele momento”, disse Galliker. “É um pouco assustador”.

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