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Presidente Dilma Rousseff mexeu nas regras da poupança para permitir queda maior da Selic
São Paulo - Enquanto a maioria do mercado acredita que a queda da taxa Selic estacionará em 8,5% este ano, já há analistas prevendo que a taxa básica de juros da economia brasileira atingirá a mínima histórica de 7,75%. Pelo menos dois bancos já trabalham com esta hipótese para 2012: Bank of America Merrill Lynch (BofAML) e o Citibank. Ambos já reduziram de 9% para 7,75% a previsão para a Selic este ano, diante da mudança no rendimento da poupança anunciada pelo governo na semana passada.
“Os dados fracos da atividade econômica e as novas regras para as contas de poupança abrem espaço para reduções mais agressivas da Selic”, afirma o superintendente do Departamento Econômico do Citibank, Marcelo Kfoury, em relatório. BofAML e Citi projetam um corte de meio ponto percentual nas próximas duas reuniões, com uma última redução de 0,25 em agosto. Com isso, a taxa atingiria um ponto percentual abaixo da mínima histórica do índice, de 8,75% no primeiro trimestre de 2010.
A posição de Bank of America e Citibank deverá ser acompanhada pelos demais analistas do setor. A LCA Consultores lançará ainda hoje um documento com uma nova projeção, de 8%. “Não faria sentido para o governo mexer em assunto tão delicado como a poupança e não aproveitar isso na totalidade”, afirma Flávio Samara, economista da LCA. A previsão anterior, de 8,5%, era considerada o piso pela consultoria caso o governo tivesse optado por não mexer no rendimento mais popular do país.
A percepção é de que o desempenho fraco da economia, principalmente do setor industrial - que registrou queda de 0,5% em março - permite taxas de juros menores sem aumento da inflação. “Crédito e investimento também estão se saindo pior do que esperávamos”, afirma o superintendente do Citibank, Marcelo Kfoury. Parte da culpa pode ser creditada ao setor de automóveis, cuja inadimplência está em 7,4%.
De qualquer maneira, como a inflação tende a aparecer apenas muitos meses após a redução da taxa básica, qualquer pressão nos preços ficaria para o ano que vem. Analistas trabalham com IPCA de 5,12% para 2012, e 5,56% no próximo ano, segundo o Boletim Focus, do Banco Central.
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