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O crescente endividamento de alguns países da Europa provocou uma crise de confiança no mercado financeiro na semana passada. Temendo um calote dos chamados PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), os investidores estrangeiros fugiram da zona do euro para se refugiar no dólar e em títulos do Tesouro americano. Esse movimento gerou incertezas no cenário mundial, revelando que alguns países ainda não se recuperaram completamente da crise. Quais são as chances de termos uma nova crise econômica global? Como essa situação afetará o Brasil?
Em geral, os seis especialistas ouvidos por EXAME acreditam que a União Europeia deverá ajudar os países do bloco em dificuldade sem a interferência do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para isso, no entanto, os PIGS terão de cortar gastos e reduzir o déficit público - medidas que devem levar a um crescimento menor da região. Para o Brasil, a crise na Europa deve gerar turbulência nas bolsas no curto prazo e redução das exportações no médio prazo - com maior pressão sobre o dólar. A expectativa de um bom ritmo de crescimento neste ano, porém, está mantida. Leia a seguir os principais trechos dos seis depoimentos:
John Williamson, conhecido como o "pai" do Consenso de Washington: Duvido que haja uma crise, mas a alternativa também será desagradável, envolvendo vários anos de crescimento baixo e desperdício de recursos. Minha expectativa é que haja um plano de resgate, mas como um complemento e não como uma alternativa para o programa de ajuste apresentado pela Grécia e aprovado pela União Europeia. Quanto à queda do mercado de capitais, elas parecem refletir a evidência de que a Europa, principalmente os PIGS, terão um crescimento mais lento do que havia sido previamente esperado. Quando os investidores estrangeiros são atraídos para os fundos por causa de um declínio em outros lugares, eles procuram vender as ações no mercado acionário brasileiro. Essa é a razão principal pela qual os mercados de ações tendem a se mover em sincronia. Por isso, a queda recente da Bolsa de Valores de São Paulo não mostra que o mercado brasileiro era uma bolha. Esperam-se altos e baixos. (Continua)
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