São Paulo - O Reino Unido vai decidir em um referendo se fica ou sai da União Europeia.

A data limite é o final de 2017, mas é muito possível que ele aconteça ainda em meados deste ano. Enquanto isso, o primeiro-ministro David Cameron negocia para conseguir arrancar concessões do bloco.

A questão ainda não entrou no radar da maioria dos investidores, mas bancos e outros analistas já começaram a alertar que os riscos da "Brexit" são bem grandes.

Em setembro, o tema já fazia parte da notória lista do banco francês Société Générale de maiores "cisnes negros" da economia global  - eventos inesperados e de alto impacto.

Um relatório recente do banco inglês Barclays nota que um dos pontos cruciais de motivação do referendo é o tema "imigração", que vem subindo de forma constante no ranking de maiores preocupações dos britânicos.

A crise dos refugiados jogou a questão para o centro do debate político em todo o resto do continente, o que só torna a decisão da Brexit ainda mais importante.

"Acreditamos que as implicações para a UE (União Europeia) e a União Monetária Europeia são pelo menos tão importantes do que para o Reino Unido. Em nossa visão, isso coloca o referendo entre um dos maiores eventos de risco global do ano", diz a nota assinada por Marvin Barth.

Uma possível saída do país poderia despertar novamente o temor de dissolução do bloco que tanto assustou os mercados no pico da última crise do euro:

"O precedente de um estado membro saindo da união abriria a caixa de Pandora: poderia ser usado como argumento político por partidos extremos e populistas, tanto da direita quanto da esquerda, para pressionar por uma saída da UE, incluindo em alguns países do euro", diz o texto.

Isso sem falar nos efeitos negativos para a própria economia britânica, que variam de acordo com vários cenários, segundo estudo do instituto Open Europe.

Em nota assinada pelos analistas Sonali Punhani e Neville Hill, o Credit Suisse estima que haveria uma queda de 2% do PIB da qual a economia nunca se recuperaria.

"O voto pela saída da UE causaria choques econômicos e financeiros imediatos para o Reino Unido (...) No médio prazo, esperamos que seja negativo tanto para a demanda quando para a oferta do país, implicando em uma rota de crescimento mais fraco."

As últimas pesquisas mostram que uma maioria dos britânicos não quer a saída, e grandes bancos e empresas tem feito campanha pela permanência.

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