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Mas o economista alerta que 2012 deverá não ser um ano tão simples para o governo em termos fiscais, já que no ano que vem entra em vigor o novo salário mínimo de R$ 622
São Paulo - Com o resultado primário do setor público consolidado de R$ 126,777 bilhões no acumulado do ano até novembro e a expectativa de um saldo positivo em dezembro, o superávit fiscal poderá até ficar acima da meta em 2011, que é de R$ 127,900 bilhões ou 3,15% do Produto Interno Bruto (PIB). A avaliação é do economista Rafael Bistafa, da Rosenberg & Associados. "Dezembro geralmente costuma apresentar déficits primários, porém neste ano deverá haver superávit, com a possibilidade de superar a meta. O resultado deverá ficar um pouco acima da meta, mas nem tanto como muitos esperam, algo como R$ 5 bilhões ou R$ 10 bilhões a mais", disse.
O economista, no entanto, tem dúvidas se o governo usará o excedente para quitar antecipadamente alguns compromissos fiscais - como por exemplo restos a pagar -, na tentativa de aliviar a meta do próximo ano. Ele ressalta que tal estratégia seria positiva, dado que a manutenção do quadro fiscal é necessária para manter o Brasil relativamente bem perante os demais países, ainda mais num período de crise externa. "Se o País continuar com essa posição fiscal sólida, será mais bem visto internacionalmente", completou.
Mas o economista alerta que 2012 deverá não ser um ano tão simples para o governo em termos fiscais, já que no ano que vem entra em vigor o novo salário mínimo de R$ 622. "O Brasil começa o ano com o aumento de 14,3% do mínimo, que deve ter impacto de cerca de R$ 23 bilhões do lado das despesas. Só isso é um rombo enorme", afirmou. Com a crise internacional e a expectativa de expansão modesta da economia brasileira no ano que vem, Bistafa ressalta que a arrecadação também deve apresentar expansão menor. "A arrecadação não deve crescer quanto cresceu em 2011. Até novembro, tem-se uma alta real de 10,90% da receita líquida. A taxa deve continuar subindo, mas não de maneira tão explosiva", afirmou.
O economista também lembra que o fato de 2012 ser ano de eleição municipal pode levar a um quadro fiscal mais complicado, já que normalmente o governo se vê pressionado para liberação de verbas. "Também há a intenção do governo de elevar os investimentos públicos em 2012, que neste ano foram baixos. O governo vai ter de se virar, tirar um coelho da cartola para cumprir a meta em 2012. Ainda assim, acreditamos no cumprimento", disse.
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