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O assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia
Buenos Aires - A Argentina 'é um problema bom' para o Brasil, afirmou Marco Aurelio Garcia, assessor de política externa da presidente Dilma Rousseff, em meio a novos conflitos comerciais entre os dois países.
O assessor fez estas declarações ao jornal 'Página/12', de Buenos Aires. Para ele, os países passam por problemas derivados de desequilíbrios econômicos, alguns de difícil solução, mas é preciso se acostumar a eles.
Há dez dias, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, criticou o protecionismo comercial da Argentina. Já Marco Aurélio justificou as declarações do ministro.
'Nenhuma declaração significa, nem por parte do Governo, nem de Pimentel, um desejo de descartar a importância de nossa relação: é absolutamente fundamental para as duas economias', afirmou.
'A Argentina é um grande parceiro comercial do Brasil e o Brasil é um grande parceiro comercial da Argentina. Os dois ganham', acrescentou.
Paulo Skaf, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), afirmou na semana passada que a relação bilateral sofreu um desgaste com a 'falta de confiança' por causa do protecionismo argentino.
O empresário brasileiro reiterou a oferta da Fiesp de ajudar a Argentina para que o país mantenha o superávit de sua balança comercial (da ordem de US$ 11 bilhões em 2011) e que compreende que Buenos Aires esteja 'preocupado' com as importações.
A Fiesp declarou que pretende pedir um encontro com a presidente argentina, Cristina Kirchner, para fazer uma proposta amigável que acabe com as tensões e conflitos.
A política protecionista de Cristina também despertou críticas de empresários e autoridades do Paraguai e Uruguai, parceiros da Argentina e do Brasil no Mercosul, o maior bloco comercial da América Latina.
A Argentina pretende substituir importações no setor de peças de automóveis e eletrodomésticos, entre outros produtos que normalmente compra do Brasil, cuja atividade industrial encerrou 2011 com uma queda intensa por causa de uma demanda menor, segundo a Confederação Nacional da Indústria brasileira.
O Governo argentino evitou as polêmicas com o brasileiro, embora tenha dito em outras ocasiões que pretende promover a fabricação local de produtos que geralmente são comprados de outros países e manter o superávit comercial.
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