São Paulo - Poucos fenômenos tem sido tão relevantes para a economia global quando a queda brutal do preço do petróleo.

Em meados de 2014, um barril chegou a valer 115 dólares. Atualmente, flutua na casa dos 30 dólares - uma queda de cerca de 73%.

"Se sustentado, [este processo] vai empurrar US$ 3 trilhões por ano de produtores de petróleo para consumidores globais, abrindo caminho para uma das maiores transferências de riqueza na história humana", diz uma nota recente do Bank of America Merrill Lynch assinada por Francisco Blanch.

Isso significa 400 dólares líquidos em média para cada consumidor. Apesar do impacto imediato ser na média positivo, os efeitos sobre a economia como um todo são mais complexos.

As empresas de petróleo estão vendo suas ações despencarem (Petrobras entre elas), enquanto os países produtores sofrem com a queda acentuada de receitas (um dos principais fatores nas crises da Rússia e da Venezuela).

Os 6 países do Conselho de Cooperação do Golfo (entre eles Arábia Saudita e Catar) anunciaram recentemente que vão passar a taxar diretamente os seus cidadãos pela primeira vez.

Na Europa, a energia mais barata alimentou a deflação (o que é ruim) mas liberou recursos para o consumo (o que é bom). Na importadora Índia, a queda do preço deu um alívio importante na balança de pagamentos e ajudou a turbinar o crescimento.

Preço mais baixo também gera demanda é a tendência é que os consumidores comprem mais carros e se preocupem menos com a eficiência. Depois de anos em estagnação, o número total de quilômetros dirigidos pelos americanos voltou a subir em 2015. 

As empresas automobilísticas celebram bons resultados enquanto a energia limpa fica relativamente mais cara na comparação com o petróleo, em uma série de notícias péssimas para o aquecimento global.

"Supondo uma ação limitada em relação às mudanças climáticas, o pico na demanda mundial de petróleo pode ocorrer apenas em 2040 em um mundo com barril abaixo de US$ 70", diz a nota do banco.

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