O presidente Vladimir Putin está considerando vender participações em algumas das joias do estado da Rússia para compradores estrangeiros para levantar dinheiro para uma economia derrubada pelo colapso dos preços do petróleo e pelas sanções relacionadas à Ucrânia.

Os investidores estão em dúvida.

Aparentemente, uma oportunidade de compra em empresas como o maior produtor de petróleo do país Rosneft e o monopólio ferroviário russo Russian Railways, pode parecer quase bom demais para ser verdade.

Compradores potenciais enxergam muitos obstáculos que podem evitar qualquer acordo de acontecer; um deles, e não o menor, inclui o histórico da Rússia em vendas mal geridas e o incerto papel do Estado nas novas estruturas de posse.

“Eu vou acreditar nisso só depois de ver”, disse Pavel Laberko, gestor de recursos da Union Bancaire Privee em Londres, uma empresa administradora de fundos que administra US$ 90 bilhões.

“O governo fala em privatização há vários anos, mas eles sempre encontram uma desculpa para não fazer isso. Eu vejo uma alta probabilidade de isso não acontecer”.

Um aprofundamento da recessão, um déficit de orçamento e o Brent em cerca de US$ 30 o barril enfraqueceram a economia que depende do petróleo e forçaram Putin, que endureceu seu controle sobre o Estado, a ponderar a privatização.

Boas-vindas aos estrangeiros

“A Rússia estava e continua aberta a investimentos estrangeiros e está interessada em atrair novos parceiros estrangeiros”, disse na terça-feira o porta-voz do presidente, Dmitry Peskov.

O ministro de Finanças havia dito que queria crescer 1 trilhão de rublos (US$ 12,5 bilhões) vendendo participações em companhias estatais por dois anos.

“Os investidores americanos e europeus continuarão longe das vendas de privatização mesmo que os preços das ações sejam realmente atraentes porque têm receio de possíveis novas sanções”, disse por telefone de Zurique, Sergey Vakhrameev, gestor de recursos na GL Financial, que administra cerca de US$ 100 milhões em ativos.

Questão controversa

O programa de privatização é um tópico controverso dado que os ativos mais valorizados da Rússia acabaram nas mãos de oligarcas nos anos 1990 a preços baratos após o colapso da União Soviética, tornando-os bilionários quase da noite para o dia.

Quando Putin chegou ao poder em 2000, ele prometeu destruiu os oligarcas “como uma classe”.

Qualquer interesse em ativos de privatização iria provavelmente vir de países como a China e possivelmente de alguns oligarcas russos, de acordo com George Hoguet, da State Street Global Advisors.

“A primeira rodada de privatização russa resultou em uma má alocação de recursos e concentração de riqueza nas mãos de oligarcas, então, muito depende de como eles farão desta vez”, disse por telefone, Hoguet, estrategista de investimento global na State Street em Boston, nos EUA.

Recompra da VTB

As últimas privatizações deixaram os investidores internacionais confusos.

A recompra de ações de 2012 do grupo VTB na oferta pública inicial de investidores que perderam dinheiro depois de participar da venda de ações de 2007 desencadeou críticas dos gestores de fundos estrangeiros.

Fundos como Charlemagne Capital e Van Eck Associates criticaram o plano, que se aplica somente a investidores que compraram as ações quando a empresa abriu seu capital, enquanto Putin manobrava para ganhar votos dos acionistas menores.

Compradores de ativos privatizados não serão capazes de financiar acordos com empréstimos de bancos dirigidos pelo estado e qualquer venda “deve levar em consideração as condições do mercado”, disse Putin nesta semana em uma reunião no Kremlin.

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