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Henrique Meirelles foi presidente do Banco Central entre 2003 e 2010
São Paulo* – Para Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e atual presidente do Conselho Consultivo da holding J&F, a economia brasileira está sendo afetada por fatores conjunturais decorrentes da crise europeia mas também por ter entrado em um novo ciclo. “Agora entramos na fase da produtividade. Esse é o desafio hoje”, afirmou.
“Cada coisa a seu tempo. Era impossível se falar em grandes investimentos em produtividade no Brasil quando tínhamos uma instabilidade muito grande. Apenas quando a economia adquire previsibilidade é possível fazer investimentos de longo prazo em produtividade”, disse Meirelles.
Para o ex-BC, a entrada do Brasil nessa fase é natural. Na época em que havia estabilidade e o ambiente externo estava favorável, era normal que as empresas e famílias estivessem trabalhando com foco de atender o aumento da demanda, segundo Meirelles. Agora, o cenário é outro, então, passa a ser natural que o foco seja investir em produtividade.
“Acho que o Brasil terá condições de enfrentar esse desafio”, disse o ex-BC, para quem o enfrentamento desse novo desafio não significa voltar atrás. “Não voltaremos ao período de crise recorrente”, disse, destacando que hoje o país tem reservas internacionais mais elevadas e uma relação de dívida pública líquida sobre o produto de cerca de 36%, bem abaixo do patamar de 60% que já registrou.
“O que estamos discutindo é a taxa de crescimento futura, se será maior ou menor com maior ou menor produtividade”, disse Meirelles. Para o ex-BC, é necessário observar qual será o crescimento sustentável nos próximos anos – uma diferença de 3,5% para 4,5% faz muita diferença, ressaltou.
A estimativa do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2012 sofreu seguidas baixas até consolidar-se na previsão de uma elevação de 1,9% do PIB, segundo os últimos boletins Focus divulgados pelo Banco Central. O governo mantém a expectativa de crescimento de 3%, segundo declaração recente da ministra do Planejamento, Miriam Belchior.
Endividamento
O Brasil não viveu uma bolha de crédito, segundo Meirelles. O ex-BC destacou que, no Brasil, o crédito representa 50% do produto, enquanto nos Estados Unidos, o dado mais otimista indica 176% do produto.
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