Atenas - Os quatro principais bancos gregos devem anunciar nesta sexta-feira perdas massivas relativas ao exercício de 2011 devido à recente reestruturação da dívida soberana do país.

O Banco Nacional da Grécia (BNG), o número um do setor, o Banco Alpha, o Eurobank e o Banco Piraeus devem anunciar perdas de pelo menos 20 bilhões de euros (mais de 26 bilhões de dólares) no último ano, de acordo com analistas e a imprensa, após a desvalorização das obrigações da dívida soberana grega possuídas por eles.

"O volume esperado de perdas é de 20 bilhões de euros, mas o importante é como isso será tratado durante o ano", disse à AFP o professor de economia financeira da Universidade de Atenas, Panayotis Petrakis.

A reestruturação permitiu eliminar cerca de 105 bilhões de euros em dívida pública, quase metade dos títulos soberanos gregos detidos por credores privados, entre os quais estão os bancos comerciais do país, que perderam 70% do valor contábil dos títulos que possuíam.

De acordo com o jornal liberal Kathimerini, o BNG, maior possuidor de títulos, sofrerá as maiores perdas, seguido pelo Piraeus, Eurobank e Alpha Bank.

Para parar o sangramento e garantir a liquidez no mercado, será ativado o segundo plano de ajuda acordado com a Grécia em meados de março pela zona do euro e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê a recapitalização dos bancos e uma primeira entrega de 25 bilhões de euros pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), está previsto para entrar em vigor nesta quinta-feira.

O primeiro-ministro Lucas Papademos reuniu-se nesta quinta-feira com o governador do Banco Central da Grécia, George Provopoulos, para discutir o processo de recapitalização dos bancos, que será uma das prioridades do novo governo, que será formado após as eleições do dia 6 de maio.

"A primeira coisa a fazer será assumir a gestão dos bancos (através da recapitalização) e forçá-los a financiar a economia real do país, uma vez que existe um risco contínuo do país afundar", advertiu Stylianos Padelidakis, gestor de fundos da Primexis.

Uma das chaves do processo de recapitalização será a abertura de pelo menos 10% do capital dos bancos para o setor privado, que, segundo o governo, será feito em forma de títulos parecidos com obrigações conversíveis tradicionais.

Este processo irá testar a "estabilidade e confiabilidade do sistema bancário", disse Petrakis.

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