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França | 12/09/2012 21:57

Por que é ineficaz tributar pesadamente os mais ricos

François Hollande quer aumentar para 75% o imposto sobre a renda dos que ganham mais de 1 milhão de euros ao ano. Especialistas mostram que a medida não é eficaz

Naiara Infante Bertão, de

©AFP/Archives / Bertrand Langlois

O presidente francês, François Hollande

O presidente francês, François Hollande: tributação dos mais ricos como panaceia

São Paulo - Em entrevista no domingo, o presidente francês, François Hollande, comentou que vai anunciar em breve cortes de 10 bilhões de euros em educação, segurança e justiça, além de aumentar em 20 bilhões de euros a arrecadação do governo com novos impostos. Porém, o fato que mais chamou a atenção foi a intenção do político de pôr em prática sua promessa de campanha de aumentar dos atuais 45% para 75% a tributação sobre o rendimento de contribuintes com maiores rendimentos.

A 'facada' do Fisco francês seria desferida contra todos aqueles que ganham acima de 1 milhão de euros ao ano (2,5 milhões de reais anuais). Essa medida, segundo Hollande, seria necessária para diminuir o elevado déficit público do país. Contudo, especialistas ouvidos pelo site de VEJA são unânimes em dizer que a proposta – baseada numa das premissas mais furadas do socialismo: a de que a riqueza de alguns seria a explicação da ruína de outros – não deve melhorar em nada a situação fiscal nacional. E pior. A taxação excessiva dos mais ricos pode prejudicar ainda mais a já debilitada economia francesa.

A ideia, por si só controversa, teve o seu impacto amplificado por um fato correlato. No mesmo dia, em reportagem de capa que, no mínimo, dispensou a etiqueta, o jornal Libération noticiou a intenção Bernard Arnault – dono do conglomerado de luxo LVHM e homem mais rico da França – de obter nacionalidade belga. A matéria, cujo título, numa tradução branda, é “Cai fora, rico idiota”, insinuava que o interesse do empresário pelo país vizinho disfarçava a intenção de pagar menos impostos. Arnault negou que quisesse se mudar do país com esse objetivo e afirmou que "sua possível nacionalidade belga não altera sua determinação de criar empregos na França".

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