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Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco: “Crises cansam e o dinheiro quer trabalhar”
São Paulo – “Estamos em um momento de cansaço da crise. Crises cansam e o dinheiro quer trabalhar”, afirmou Octávio de Barros, economista-chefe do Bradesco. Nesse contexto, o economista destacou a indústria de private equity e afirmou que o Brasil pode se beneficiar da “penúria das economias maduras”.
“A indústria de private equity no mundo está bombando nesse momento. Em tese, investir em ativos reais é o que há de mais interessante no mundo”, disse Octávio de Barros. Para o economista, se houver uma pequena melhora no cenário global, é possível que ocorra uma certa corrida por parte dos investidores.
Octávio de Barros ressaltou que no mundo de hoje, ninguém quer fluxo de capital. Os países maduros querem que o dinheiro permaneça em “casa” e os países emergentes, por sua vez, são contra a avalanche de fluxo de capital porque valoriza suas moedas. O movimento do Brasil contra os fluxos se antecipa aos riscos de novos “tsunamis monetários”, segundo Octávio de Barros.
O economista destacou que, enquanto os países estão assim, os investidores estão aflitos com as taxas de juros reais negativas nas economias maduras e caminhando para o negativo nos emergentes. “É um momento único em que os investidores estão tão inseguros sobre o que vai acontecer no mundo que são capazes de comprar títulos do governo da suíça, por exemplo, e aceitar taxas nominais negativas para daqui a dois anos”, exemplificou Octávio de Barros.
“O fluxo de capital que foi atraído por arbitragem e diferencial de taxas de juros ainda vê oportunidades no Brasil, mas essas taxas vão caindo”, disse o economista. O mercado projeta que o Banco Central vai reduzir a Selic, a taxa básica de juros, para 7,50% no final desse mês – atualmente a taxa é de 8%.
Octávio de Barros destaca que o Brasil já ganhou dois prêmios na loteria: o primeiro com o boom de commodities e o segundo, agora, dado pela crise. “O cenário mundial adverso permite que o Brasil finalmente converta sua taxa de juros mais rapidamente para a praticada nos países emergentes normais”, disse o economista.
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