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Perguntas | 14/06/2012 22:13

O que é a crise espanhola e como ela pode afetar o Brasil

País deverá receber uma ajuda de 100 bilhões de euros para restaurar a saúde de seus bancos, mas isso pode não ser o suficiente

Ana Clara Costa, de

A crise na Espanha prejudica o Brasil? Como?

Indiretamente, sim. "Sempre que a Europa é ameaçada por uma possibilidade de crise sistêmica, a aversão ao risco é a primeira reação dos investidores", afirma o professor Mauro Guillen, da Wharton School, na Universidade da Pensilvânia. Desta forma, ainda que os BRICS (grupo de países emergentes do qual o Brasil faz parte) tenham uma situação fiscal sólida, perspectiva de crescimento e mercado interno forte, os investimentos acabam migrando para títulos do tesouro dos Estados Unidos ou da Alemanha, além de outras aplicações seguras. Isso faz com que os investimentos estrangeiros no país diminuam e também pode acarretar em queda da confiança dos empresários na própria economia brasileira.

No setor bancário, os efeitos também são pequenos. Isso ocorre porque os bancos brasileiros se financiam no mercado doméstico, por meio de depósitos de clientes, e dependem muito pouco de fundos externos. "Não é que o sistema bancário seja imune, mas tem plenas condições de encarar uma eventual piora", diz o economista Alexandre Schwartzman, ex-diretor do Banco Central.

O Santander, banco espanhol, pode ter sua operação afetada no Brasil caso as coisas não se resolvam na Espanha?

As chances são remotas. Segundo economistas ouvidos pelo site de VEJA, os bancos estrangeiros no Brasil têm de funcionar como entidades independentes, isto é, com sua própria base de capital, de modo a permanecer em condições de funcionamento mesmo em caso de problemas na matriz. Os níveis de capital exigidos pelo BC são, inclusive, mais conservadores do que na Europa.

Apesar disso, a agência de classificação de risco, Fitch, reduziu nesta quarta-feira a nota de crédito do Banco Santander no Brasil de BBB+ para BBB, e a perspectiva caiu de estável para negativa. A agência alegou que não considera que o banco seja completamente independente da matriz.
O que o banco pode fazer no curto prazo - e que altera o mercado local - é vender sua subsidiária brasileira para levantar recursos para direcionar à Espanha. Essa alternativa, contudo, foi negada pelo presidente e fundador do grupo Santander, Emilio Botín.

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